Acidentes de Aviação

Já não sou Charlie!

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209

A União Europeia apresenta-se como um espaço democrático, mas a iniciativa do Charlie Hebdo é daquelas que me leva a dizer: “amigos russos, peço-vos desculpa, tenho vergonha de publicações como estas"

Ainda as vítimas do despenhamento do Airbus 321 russo no Deserto do Sinai não estão sepultadas e ainda se desconhecem as causas da tragédia e já há quem tenha dado início a uma dança macabra em torno do luto das famílias russas atingidas pela desgraça.

O famoso jornal satírico francês Charlie decidiu publicar duas caricaturas de muito mau gosto sobre a tragédia. O autor de uma das caricaturas “chama a atenção” para o perigo de voar em companhias de baixo custo russas e recomenda a “Air Cocaine”.

A segunda caricatura vai ainda mais longe na sua “ousadia” na crítica à intervenção militar russa na Síria.

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Talvez para diminuir o efeito odioso destas publicações, o jornal coloca as duas caricaturas na última página, onde normalmente publica os desenhos rejeitados para primeira página. Mas trata-se de uma explicação nada convincente para uma enorme falta de respeito pelas mais de 200 vítimas da queda do avião russo que voava do Egipto para São Petersburgo.

Há limites para tudo, estejam as publicações na primeira ou última página. A falta de respeito pelas vítimas é evidente.  As cerca de 20 crianças que voavam no aparelho russo não foram responsáveis pela política externa do Presidente Putin, nomeadamente pelo envio de aviões russos para a Síria.

Pode-se discordar da política autoritária e imperialista do Kremlin, mas nem todos os meios são admissíveis para a criticar.

Com isto não quero dizer que seja necessário matar os autores das caricaturas a tiro ou à bomba, como fazem os bárbaros extremistas, mas existem outras formas de reagir a este tipo de “jornalismo”: condenar a falta de respeito e deixar de comprar publicações desse tipo.

Não me venham falar do direito sagrado à “liberdade de expressão”, pois a publicação no Charlie Hebdo nada tem a ver com isso, é mais um tiro cobarde nas costas dessa liberdade.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, comentou este incidente com uma pergunta: “Ainda alguém é Charlie?”. Embora eu discorde quase sempre do que essa funcionária russa diz, desta vez, respondo: “Eu já não sou Charlie!”.

A União Europeia apresenta-se como um espaço democrático que poderia ser um modelo a seguir pela Rússia, mas a iniciativa do Charlie Hebdo é daquelas que me leva a dizer: “amigos russos, peço-vos desculpa, tenho vergonha por publicações como estas”.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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Quem tem medo da revisão da História? /premium

José Milhazes
2.520

Senhor deputado, você fez-me lembrar a sua colega Rita Rato que, sendo formada em Relações Internacionais na Universidade Nova, não sabe o que foi o “Gulag” criado por Lénine, Trotski e Estaline. 

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