Dia 18 de março de 2020, foi este o dia mais longo da democracia portuguesa, o dia em que o Presidente da República decretou o estado de emergência nacional. Enquanto povo, enfrentamos o nosso maior desafio, este é o momento definidor da nossa vida em comum. Nunca como agora precisámos tanto uns dos outros, nunca como agora o nosso vizinho do lado se poderá tornar o nosso herói e nós o dele, nunca como agora fez tanto sentido dizer que pertencemos todos ao mesmo país e temos laços que nos unem, que são mais fortes do que poderíamos imaginar

Concordo com os que acharam que se devia ter feito antes, há muito que a maioria percebeu que se tornaria inevitável, as notícias que vêm de Itália são avassaladoras, no mesmo dia em que Portugal declarou o estado de emergência morreram mais 500 pessoas e a contabilidade não pára.

Vivemos um tempo excepcional, e em tempos de excepção tomam-se medidas extraordinárias. Uma dessas medidas seria o fecho de fronteiras, quer terrestres, quer aéreas, mesmo dentro da União Europeia. Isso mesmo pediu o matemático Jorge Buescu num artigo no Observador, artigo que termina desta forma: “Façam a única coisa que os portugueses vos pedem. Fechem o País amanhã.”

Este é o tempo do cidadão comum, esta é a melhor altura de todos sermos melhores, chegou o momento de assumirmos as nossas responsabilidades mas também de pedir responsabilidade. Durante demasiado tempo olhámos para o lado quando os governantes colocavam os amigos em lugar-chave, hoje percebemos que para resolvermos problemas graves precisamos dos melhores profissionais, dos mais competentes, e não do melhor amigo do ministro. Chegou o momento de exigirmos respostas.

Alguns temem que a declaração do estado de emergência possa pôr em causa a democracia e a liberdade, que sob a desculpa de controlo da pandemia algum tipo de autoritarismo sobrará e se manterá depois do vírus. A esses respondo desta forma: talvez não conheçam este povo como julgam conhecer. Quando o momento de guerra passar saberemos agarrar a vida que deixámos suspensa, saberemos voltar a sair de casa, a encher esplanadas, teatros e salas de espectáculos, quando tudo acabar estaremos sedentos de vida e nada nem ninguém nos imporá limites ou ousará sequer coartar-nos a liberdade.

Até lá, até esse dia chegar, lutaremos. Lutarão os médicos, os enfermeiros, os auxiliares e os administrativos nos hospitais e nos centros de saúde, lutarão os camionistas nas estradas e autoestradas, lutarão os padeiros, os jornalistas, os cientistas, os empresários e os operários. Lutaremos todos, e no fim quando tudo acabar, celebraremos todos na rua, sem medo.

Será duro. Muitos não estarão cá para festejar connosco. Muitos não sobreviverão. A nossa responsabilidade colectiva é que esse número seja o mais baixo possível. E o que temos que fazer já foi amplamente divulgado: ficar em casa! Desta vez todos podemos participar no esforço colectivo de ultrapassar este momento difícil e, para a maioria, o que se pede é só que fique em casa. Muitos estarão lá fora, a lutar para que o maior número de nós possa festejar quando tudo isto passar.

Nada será igual depois disto. Aquilo que espero e desejo é força e coragem para todos. Sairemos vencedores. Juntos.