Recebi por WhatsApp um quadro onde se demonstrava que em Portugal não morremos apenas de Covid. Conheci e respeito a autora, Maria Spínola, mas como estou farto de fake news, fui consultar parte das suas fontes, o site do Sistema de Informação de Certificados de Óbito, do Ministério da Saúde e fazer as minhas contas.

Resumindo, de 1 de Janeiro a 18 de Setembro, morreram em Portugal 85594 pessoas, sem dúvida o pior ano desde 2009. Pois, se em média, desde 2009, morreram no período homologo, 77717 pessoas, em 2020 morreram 7877 pessoas a mais, incluindo as 1894 mortes causadas pela Covid-19.

Morreram 5983 pessoas de outras causas.

Vamos assumir que os números de morte por Covid-19 estão correctos e que o Governo não nos esconde informação e, por isso, é lógico perguntar: de que morreram os quase seis mil mortos a mais?

Morreram quase seis mil pessoas pelo medo de morrerem de Covid? Morreram por ficar em casa, sem ir tratar de outras doenças como tumores, doenças cardiovasculares, doenças endócrinas, ou por atrasos nos diagnósticos? Morreram porque o isolamento, a tristeza e o medo aumentaram a depressão e os suicídios?

As redes sociais, de que tanto gosto, têm contribuído para esta ditadura do medo, minando a verdade.

Ficamos perplexos com tanta histeria, fruto fatal da desinformação, numa época em que, paradoxalmente, todos temos acesso a informação digital e a fontes fidedignas.

É nestas alturas que fica tão claro como é enorme a responsabilidade, a minha e talvez a do leitor, quando, por pressa ou ligeireza, aceitamos ou partilhamos informação sem pensar. É um erro grande e muito prejudicial quando preferimos não ser críticos e criteriosos acerca da informação que recebemos e arriscamos atiçar cada vez mais esta fogueira com qualquer coisa que recebemos.

Suspeito que a exposição repetida nas redes sociais de informações e histórias sensacionalistas sobre a Covid-19, compartilhadas repetidamente, nos torne mais paranóicos e ansiosos com a crise de saúde do que o necessário.

Cabe a cada um de nós procurar a verdade, sem crenças e sem fé cega na informação que recebemos, mas sabendo analisar e reagir.

Porém, pelo que observo, não são poucos os que estão à espera da próxima notificação a confirmar o desastre para, de imediato, se disporem a ser o arauto da desgraça.

Um conselho para quem é assim: saiam das redes sociais, acabem com a vossa conta de Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, etc, guardem o smartphone e comprem um telefone, daqueles que só dá para receber e fazer chamadas, e liguem a quem vos apetecer para combinar uma caminhada no parque mais próximo, para fazer um pouco de exercício e apanhar sol.

Se não quer ser tão radical, desligue as notificações, pouse o telefone, leia e analise a informação que recebe, pense (sim, esse silêncio não é desperdício), cruzando e colocando em causa o que lê.

Não nos podemos deixar entrar em pânico, sob pena de ficarmos noutro confinamento.

Quantas mortes irão acontecer a mais se voltarmos a estar fechados em casa? Quantos suicídios por causa do confinamento? Quantas mortes por causa das consequências económicas de mais um confinamento?

Temos a obrigação de exigir a quem nos governa, e a quem nos rodeia, a verdade. E temos a obrigação de dizer a verdade.