É impressão minha ou acabaram de ler o primeiro título de crónica, quiçá de sempre, com pronúncia da Beira Alta? O “Musk que” com aquele essezinho sibilado, mesmo a soar a “Mas que” com pronúncia de Viseu, ou do líder do PS, José Luís Carneiro, não é? Querem as melhores titulações? Vieram ao sítio certo.
Já se quiserem os melhores ordenados, é falarem antes com o líder do PSD, o primeiro-ministro Luís Montenegro. Que da última vez que o ouvi licitar — em grande medida com o nosso dinheiro, claro, que é a forma mais gira de ganhar leilões de votos — o ordenado mínimo, já estava a oferecer 1.600€ por mês. E eu a pensar que o PSD era igualzinho ao PS. Afinal é indistinguível mas é da CGTP.
Incrível, este milagre da multiplicação do ordenado mínimo: é só pedir que ele, tumba!, sobe por magia. Pena nenhum destes sucessivos governos socialisto-social-democratas que nos têm pastoreado ter tido o espírito empreendedor para patentear isto, porque se aplicassem esta ideia ao mercado dos fármacos para a disfunção eréctil, bem que a Pfizer podia dizer adeus aos proveitos com o famoso comprimido azul.
E não são só as leis mais básicas da economia que estas subidas vertiginosas do salário mínimo desafiam. São também as próprias leis da matemática. Por este andar, não ficaria surpreendido se conseguíssemos ser o primeiro país do mundo a ter um ordenado mínimo mais alto que o ordenado médio. Impossível!, dirão os choninhas da estatística. Choninhas das estatísticas, olhem ali: como é possível a The Economist eleger Portugal como a “Economia do Ano” de 2025, liderando o ranking das 36 economias mais ricas do mundo?! E lá vão os choninhas das estatísticas a correr, desmascarar esta fantochada com estatísticas das boas.
Fantochada ainda maior é a União Europeia, a contas com um desafio de política externa como a guerra na Ucrânia, confiar a António Costa a Presidência do Conselho Europeu. É que daqui resulta que, nos bate-boca no X, a fazer frente a Elon Musk em nome da UE, ao pioneiro dos veículos elétricos em escala, da condução autónoma, do armazenamento de energia, dos interfaces cérebro-computador, da internet global via satélites de órbita baixa, do transporte espacial reutilizável e da mobilidade urbana subterrânea, temos o homem cuja capacidade de se movimentar de forma subterrânea na política o conduziu a este merecido lugar cimeiro na Europa.
Quer isto dizer que, por estes dias, o X assinala, não o local do tesouro, como nos tradicionais mapas de piratas, mas o local onde Costa e companhia nos brindam com sucessivos tesourinhos deprimentes, em forma de post, sobre a suposta imparável capacidade da balofa burocracia europeia liderar algum processo que não o de continuar a enfardar à bruta os nossos impostos.
Enfim, para ser justo, a morbidamente obesa burocracia europeia também consegue chamar burro ao tipo que expõe a absoluta inoperância da Europa, nos intervalos de explicar como (parafraseando o que percebi) satélites com capacidade de computação em IA, ligados por lasers à constelação Starlink, serão a forma mais rápida de processar informação sem consumir energia na Terra e o passo intermédio até construir fábricas de satélites na Lua e usar um canhão eletromagnético para os acelerar até à velocidade de escape lunar, sem necessidade de foguetões, permitindo progressos não triviais rumo a tornarmo-nos uma civilização de Kardashev tipo II… É. Confirma-se. Estamos perante um indivíduo cuja capacidade cognitiva e analítica deixa um bocadinho a desejar.
Agora, Elon Musk mencionou Kardashev, proeminente astrofísico da extinta União Soviética, famoso pela escala com o seu nome, que classifica o avanço tecnológico de uma civilização com base na quantidade de energia que ela é capaz de captar e utilizar. Pode ser que esta menção a uma celebridade do universo comunista quebre o gelo entre o néscio empreendedor e a elite socialista. Quem sabe se, por exemplo, Catarina Martins e Jorge Pinto, depois de resolverem a questão de deverem assinaturas à CNE para se candidatarem à Presidência da República, não se convencem, enfim, a pagar as reparações que devem ao afro-americano Elon Musk.
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