Há que tirar o chapéu a António Costa, o anestesista-mor do Reino (mais tarde haveremos de tirar tudo, até ficarmos de tanga, mais curta ainda do que a outra).

Primeiro, fez uma remodelação-surpresa e livrou-se, de uma penada só, de alguns ministros incómodos, substituindo-os pela sua guarda pretoriana (fiéis, espartanos, vozes de um só dono), que tudo farão e tudo mudarão, durante os próximos meses, para que tudo fique exactamente na mesma.

Só o facto de colocar Galamba no Ministério do Ambiente a tratar da energia revela uma jogada de mestre: o homem deixa de dizer disparates em público (como o do rating da Moody’s) e fica inibido de dizer alguma coisa, porque a sua vasta experiência acumulada sobre energia resume-se, ao que consta, à tarefa de pagar a conta da electricidade em casa e de apontar a contagem do aparelho. E, enquanto isto, o Regulador está controlado por outro pretoriano, perito em turismo rural e que qualifica para a ERSE porque, para além de ser colega de Galamba no curso de leitura de contadores, é especialista em interruptores e substituição de lâmpadas.

Em segundo lugar, a fantástica peça que é o Orçamento do Estado: cavalgando um cenário económico positivo e artificialmente empolado pela equipa de Centeno, o Governo despeja milhões em cima de tudo o que a extrema-esquerda pôs a mexer – sem razoabilidade nem critério, desfiando perante nós um chorrilho de medidas avulsas que servem para satisfazer as clientelas do PC, do Bloco e do PAN. A consequência é, como se previa, um aumento brutal da despesa pública, que se manterá independentemente do ciclo político e que hipoteca o futuro do país e das gerações vindouras em troca de (ironia das ironias) uma maioria absoluta para o PS em 2019.

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