A semana passada, o secretário geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, fez uma visita de dois dias a Lisboa. Se havia dúvidas das intenções da China relativamente às suas pretensões internacionais, elas dissiparam-se, mesmo em frente dos nossos olhos. Xi veio explicar que Portugal é um elemento fundamental na estratégia global chinesa da Belt&Road Iniciative. A situação geográfica de Portugal, bem como a sua debilidade financeira, coloca-o novamente numa posição estratégica privilegiada no que respeita aos interesses das grandes potências. E o estado terá que tomar decisões muito sérias quanto ao nosso futuro estratégico.

Xi Jinping transformou a política interna e externa chinesa. Escolhido em 2012, o novo líder usou o combate à corrupção para afastar os rivais mais próximos. Pouco depois fez  aprovar o fim da limitação de mandatos para poder implementar o “Grande Rejuvenescimento Chinês”, uma política que mistura: (i) o controle da modernização interna para não criar ondas de choque e a consequente instabilidade social; (ii) a estabilização de uma narrativa nacionalista, legitimada pelo crescimento económico interno, que cria um sentido de orgulho patriótico com uma base de apoio ao seu mandato e a uma política externa expansionista; e (iii) a consolidação do “capitalismo de estado” que tem, entre outras características, a manutenção do autoritarismo do estado chinês. A promessa é, pois, uma modernização tranquila, próspera, em que a população volte a ter orgulho na grandeza de Pequim.

Do ponto de vista externo, a estratégia tem continuidades com os antecessores. Os líderes chineses, desde a revolução económica de Deng Xiaoping, em 1979, empenharam-se numa estratégia com duas frentes essenciais. A primeira é o domínio do espaço regional. A segunda, é o aproveitamento dos vazios deixados por outras potências e a sua ocupação de forma paulatina, mas firme e irremediável. Na vizinhança, a China (até Xi Jinping) fê-lo de forma discreta. Tornou-se indispensável, através do comércio, investimento estrageiro e investimento em infraestruturas locais (em vários países). Peritos no assunto começaram a alertar para a dependência que se estava a criar.

Recentemente essa dependência degenerou para uma assertividade cada vez maior relativamente aos rivais, economicamente saudáveis, ainda que com laços comerciais consideráveis com Pequim. Agora, está implícito que a China emerge como potência regional. Tem vindo a construir bases militares pelo Mar do Sul, a incrementar as forças militares e nucleares que preocupam (com razão) os seus vizinhos – especialmente o Japão, com quem tem uma rivalidade profunda que serve também a unificação interna dos chineses, e a Coreia do Sul. O passo seguinte será diminuir a influência americana na região.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.