Primeiro criou-se o caso: “Ensino da História portuguesa não pode ignorar a violência cometida contra os povos das ex-colónias. Conselho da Europa exorta autoridades portuguesas a mudar a “narrativa da História” que continua a ser transmitida aos alunos.” “Um relatório europeu publicado esta terça-feira recomenda a Portugal “repensar o ensino da história e, em particular, a história das ex-colónias” e defende que o “contributo dos afrodescendentes, assim como dos ciganos, para a sociedade portuguesa deve ser tratado” nos manuais escolares”…

Não houve jornal, rádio ou televisão que imediata e prontamente não desse conta desse enviesamento dos manuais de História. Lendo por esses jornais fora os excertos do dito relatório europeu  quase se era levado a acreditar que os manuais escolares portugueses omitiam o papel de Portugal no tráfico de escravos.

Os ingredientes do caso eram os do costume: um relatório produzido por uma das muitas instâncias europeias cuja assertividade é inversamente proporcional ao conhecimento que se tem dela vem fazer uma recomendação de imediato tida como um dogma. A instituição em causa é a ECRI – Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, um órgão de monitorização do Conselho da Europa. Na verdade não se trata de uma recomendação mas de inúmeras recomendações. Mas vamos em primeiro lugar à recomendação sobre os manuais de História que, segundo a ECRI, deverão mudar a “narrativa da História” que continua a ser transmitida aos alunos.”

À partida instala-se de imediato um desconcerto ao ler estas notícias pois folheando os manuais em causa constata-se que eles tratam de facto desses contributos e das consequências da escravatura. E tratam de uma forma equilibrada. Foi esta evidência que levou o professor Paulo Guinote (autor dos blogues Educação do Meu Umbigo e O Meu Quintal) a afirmar sobre os membros da ECRI: “Parece-me que não devem ter visto os manuais em causa.”

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