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Foi um discurso genial, o de Marcelo Rebelo de Sousa neste 25 de Abril de 2021. Em que cada um ouviu o que quis ouvir e, assim, se uniu. O Presidente da República, até pela sua história, como o disse, compreende como poucos que há portugueses diversos. Há portugueses que ficaram prisioneiros da maior parte da vida que viveram no Estado Novo, em que lhes disseram que deviam e estavam a defender a Pátria e, por ela, estão com feridas incuráveis. Há os portugueses que pagaram com o exílio e a prisão a sua luta contra essa visão ditatorial da Pátria e que têm igualmente feridas incuráveis. Há as novas gerações que dessas feridas só têm a memória emprestada e que podem escolher um ou outro lado, ou até nenhum preferindo olhar para a frente, conforme a história das suas vidas.

O Presidente falou para todos, parecendo colocar-se ora de um lado ora do outro. Mas estando inequivocamente contra os extremismos. De um lado, os excessos de olhar o passado com os olhos do presente que levaram, por exemplo, à condenação de um combatente da guerra colonial apenas porque era negro – há atitude mais racista do que esta? Do outro os excessos dos que evitam olhar para o mal que fizemos aos países que foram colónias.

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