No passado dia 7 de Setembro, o Papa procedeu à canonização dos beatos Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati, ambos com grande devoção junto dos jovens do mundo inteiro, tornando-se assim a primeira canonização do Papa Leão XIV.

A vida de Pier Giorgio, apesar de curta (apenas 24 anos), foi vivida intensamente com grande desejo de santidade apostólica, através do cuidados aos mais desfavorecidos. Jovem, alegre, cheio de energia, Pier Giorgio foi um testemunho luminoso do Evangelho de Cristo. Demonstrou-nos, aos jovens cristãos, como a nossa vida pode ser ferramenta de Deus para poder mudar o mundo.

Provinha de uma família da alta burguesia, sendo o pai político, o que o levou, desde cedo, a estar envolvido num círculo da sociedade que professava uma fé meramente formal, sem qualquer substância. Não se sentia realmente à vontade na classe social onde vivia, nem na sua vida no lar. Isto mudaria com a sua ligação aos Dominicanos, dos quais se tornou Terciário, e quando ingressou no Instituto Social dos Padres Jesuítas.

Desde cedo que se apresentou como diametralmente oposto ao pai que o acabava por apelidar de «homem inútil», que apenas se dedicava aos «pobrezinhos» que não estavam à sua altura. Contudo, isto não era um problema para o nosso «santo dos jovens», pois ele aceitava com serenidade as repreensões do pai. Participou de tudo o que eram associações católicas da altura: Acção Católica, Conferência de São Vicente, prestando sempre serviços aos mais abandonados da sociedade. Era alpinista e utilizava esta sua actividade como uma forma de oração e de se aproximar mais do Céu, literalmente, como o próprio evidenciava.

Soube viver intensamente o Evangelho, com profundo zelo apostólico, procurando amar o próximo como assim mesmo. Viveu num período conturbado da História, com a I Guerra Mundial e a ascensão de ideologias totalitárias, anticristãs. Em Turim, na sua terra, tomou contacto com os estropiados da guerra e assistiu à ascensão do Fascismo, ideologia que era veemente contra o Cristianisimo e a Igreja Católica. Reconheceu a crise moral que a sociedade do século XIX havia produzido e que colhia agora frutos no recém-nascido século XX, com ideologias vazias de Deus, que acabavam por criar um «novo deus», quer fosse a Raça, o Capital, o Estado ou até o Proletariado.

Numa das suas cartas, escreveu que «o que falta no mundo é a Caridade», virtude teologal por excelência a qual o Catecismo da Igreja Católica, no seu número 1822, define como: « A virtude pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo, por amor a Deus». Pier Giorgio soube realmente viver desta forma, soube rechear a sua vida com as graças do Céu, sempre com um sorriso na cara e sereno, haveria de receber sobre si a cruz de cada dia, procurando levar Cristo a todas as franjas da sociedade. Revelou ser um grande exemplo para o seu tempo e para o nosso que carece de jovens com desejo de mudar o mundo, que tenham uma paixão enorme por Cristo, por Nossa Senhora e pela Igreja.

O jovem Pier Giorgio faleceu no dia 4 de julho de 1925 por causa de uma meningite fulminante que lhe acabou por ceifar a vida. Milhares de pessoas participaram das suas exéquias, em Turim, principalmente os pobres daquela cidade a quem o jovem tinha ajudado.

Hoje em dia, é recordado como o «santo dos jovens e dos desportistas» demonstrando como é possível conciliar a alegria, o amor, a fé com o compromisso social em qualquer lugar e época da História. A sua canonização ao lado de outro grande santo dos jovens, Carlo Acutis, reflecte como nós, enquanto jovens, temos realmente a força para mudar o mundo se nos ampararmos no Evangelho, com coragem e humildade.

Santos Pier Giorgio e Carlo Acutis, roguem por nós!