Os investimentos socialistas não têm boa fama e segundo as notícias das últimas semanas justifica-se a afirmação.

Recentemente foi apresentado em Lisboa um projeto que visa à construção de duas infraestruturas prisionais. O diretor geral dos serviços prisionais (Rómulo Mateus), declarou que objetivo é a criação de melhores condições dos presidiários. Convém ler bem a última frase. Não é por existir sobrelotação ou um problema sério, mas sim, para se criar melhores condições. Um cidadão que viva em Pedrogão deve-se sentir muito reconfortado ao ler esta frase.

Rómulo Mateus começou o seu discurso com a seguinte frase “Estamos aqui para anunciar os dois estabelecimentos prisionais. Quando falamos em construir, não estamos à procura de mais espaço, mas sim de melhor espaço”. Depois de ler esta frase fiquei na dúvida se isto seria uma piada de mau gosto ou não. Porque? Passo a explicar.

Os serviços prisionais portugueses preveem a construção de dois estabelecimentos prisionais. Um no Montijo e outro em Ponta Delgada. Ora, até aqui tudo bem, pois é crucial para a reinserção dos presidiários na sociedade que as condições de detenção sejam dignas e adequadas em vista à sua futura reintegração. Todavia vejamos este projeto com olhos de ver.

O Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada terá um investimento a rondar os 50 milhões de euros, albergará 500 reclusos e terá cinco campos de jogos! Frequentei três instituições de ensino publico até hoje, cada uma delas deveria ter mais de mil alunos, e nunca tive acesso a cinco campos de jogos. Mas a brincadeira não fica por aqui.  O Estabelecimento Prisional do Montijo, vai ter um investimento entre os 65 e o 70 milhões de euros, espaço para 800 reclusos e oito campos para prática de desporto. Oito.

Isto seria aceitável caso vivêssemos num país (verdadeiramente) desenvolvido, onde a qualidade de vida de qualquer cidadão fosse digna. Parece me evidente que a vida de um presidiário nestes estabelecimentos será superior à de muitos portugueses.

Mas não é essa a nossa realidade. Enquanto isto acontece, há uma série de problemas atirados para debaixo do tapete à boa maneira socialista. A ala pediátrica do hospital S. João no Porto, ainda está por ser construída e só há poucos dias é que as crianças foram retiradas dos contentores.

Desde o início deste ano já foram encerradas inúmeras escolas devido à falta de condições. A escassez de salas é um problema para 166 jovens da Escola Secundária São Sebastião da Pedreira que encerrou este ano letivo. E o mesmo se passa por todo o país, onde escolas são fechadas devido à falta de condições de bem-estar, como o simples facto de chover dentro das salas. Mas a prioridade é dar espaços de lazer (em demasia) aos presidiários.

Ao mesmo tempo que são projetados espaços verdes ao longo de muitos metros quadrados (e bem) e se cria a ideia de prisões sem celas, há falta de camas em hospitais. Há falta de cuidados mínimos na saúde, onde uma mãe tem que se deslocar mais de oitenta quilómetros para poder ter o seu filho, visto não haver hospitais que reúnam as condições necessárias em certas zonas do país. Resumindo, o SNS carece urgentemente de investimento. Mas há outras prioridades.

Todos os cidadãos portugueses têm o direito a certas condições que os permitam viver dignamente. Presidiário ou não, não há cidadãos de segunda. Ainda assim é necessário fazer uma distinção daquilo que é prioritário para o desenvolvimento do pais e daquilo que não é. Nunca visitei uma prisão nem Pedrogão. Mas da última vez que vi imagens de Pedrogão a situação continuava a ser critica e não havia respostas aos problemas. Porém a última vez que vi vídeos dentro de uma prisão, havia telemóveis e bolos de aniversário.