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O risco de Rui Rio começar a ver a sigla PSD a ser interpretada pelos eleitores como a versão a gasóleo do PS é elevado. O apaziguamento das relações entre as direcções dos dois partidos já chegou ao ponto de assinarem documentos de consenso, vagos na definição de medidas, mas sinal de uma aproximação que deixou os irredutíveis apoiantes de Pedro Passos Coelho na iminência de um ataque de nervos.

Sob o ponto de vista do cálculo eleitoral, a estratégia de Rui Rio tem contornos de sobra para suscitar dúvidas. É difícil vislumbrar o que poderá ter o PSD a ganhar com um comportamento do estilo “português suave” ao reconhecer aos socialistas o estatuto de “donos disto tudo” que sempre cultivaram embora sob o chapéu mais correcto, politicamente, de “partido charneira”. A um ano de eleições legislativas, António Costa pode, de facto, apresentar-se como o líder que fala com todos, que estabelece pontes à esquerda e à direita e que, em suma, é o derradeiro garante da estabilidade e da pacificação.

Olhar para a peça que Rio e Costa colocaram em cena apenas sob o ponto de vista do potencial balanço entre proveitos e custos pode ser redutor. Convém avaliar se, como parece, o consenso sobre a descentralização não será apenas o primeiro passo para os dois partidos reiniciarem o processo de regionalização que os eleitores chumbaram em referendo. E, em matéria de fundos da União, é preocupante que a comunhão entre PS e PSD se limite, para já, a pouco mais do que o valor do envelope financeiro.

A repetição de erros do passado é bem possível. Portugal é uma prova eloquente de que a questão essencial é a de saber como aplicar o dinheiro dos contribuintes europeus com vantagem para o crescimento potencial, uma alternativa à mera obsessão pela execução dos programas que foi responsável, durante décadas, por vagas de desperdício, de oportunidades desbaratadas e por uma economia alquebrada.

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