Como já afirmei publicamente eu não apoio nenhum dos candidatos a Belém.
Sou profundamente democrata cristão e acredito que o bem da sociedade resulta de uma combinação essencial entre um forte crescimento económico e um equilíbrio social.
Por isso digo sempre que falo sobre este assunto, que a democracia cristã é liberal na criação de riqueza e social na sua distribuição.
E é liberal na criação de riqueza porque acredita que só em verdadeira liberdade o Homem é verdadeiramente criativo e só com a sua máxima capacidade criativa poderá atingir o crescimento forte que é essencial ao seu desenvolvimento.
Mas não basta ser liberal na criação de riqueza porque, para a criação de uma sociedade forte, é essencial promover uma integração dos membros dessa mesma sociedade, e isso só é possível se todos cuidarmos uns dos outros.
Por isso a solução liberal pura não é, para mim, uma opção possível, como o não é a solução socialista que – mesmo acreditando que é verdadeira a sua intenção de distribuição social da riqueza, a que não assistimos nas últimas experiências que vivemos em Portugal – como não dá liberdade ao Homem para ser criativo nunca cria a riqueza essencial para essa distribuição.
Por outro lado, fui sempre convictamente contrário a uma solução populista em que se confundem todos os critérios e ideias apenas com o fito de angariar um cada vez maior número de votantes para conseguir atingir o poder.
Neste caso a diferença já não está numa questão económica e social que se possa avaliar pois esta, na proposta populista, está sempre a ser alterada em função da exigência daqueles que se pretendem atrair para o projecto.
Aliás, a maior e mais coerente afirmação populista é sempre de ser contra o sistema e de nunca definir qual seria o sistema a seguir pois essa afirmação levaria ao abandono de metade dos seus apoiantes.
Em conclusão, as duas alternativas que se propõem à presidência da república são, na minha convicção, ambas defensoras de soluções que promovem a destruição do desenvolvimento da sociedade e, por isso, eu não apoio nenhuma das candidaturas.
Contudo, na perspectiva de cidadão responsável, dei-me ao cuidado de assistir ao debate desta semana para ver se algum dos candidatos me poderia dar alguma razão para que o pudesse escolher para o meu voto presidencial.
Assisti, envergonhado a uma tristíssima amostra daquilo que poderemos esperar do nosso próximo presidente da república portuguesa.
Entre um agressivo, esperto, oportunista e demagogo candidato anti-sistema que pretende através da manutenção do sistema destruir o próprio sistema e um aflito, indeciso pouco imaginativo, nada criativo e muito ofendido candidato que tenta mostrar que agrada a todos, nada me convenceu no sentido de decidir o meu voto.
Na verdade, e como dizem a maioria dos comentadores, jornalistas e políticos, a margem de manobra presidencial sobre a vida do país é muito limitada e, por isso fico com a ideia de que qualquer dos candidatos pouco ou nada poderá fazer para conseguir as reformas que ambos apregoam querer fazer, mas que nenhum dos dois disse com clareza quais seriam.
Há, contudo, um poder que pode ser grave se utilizado de forma mal-intencionada e que é a capacidade de destituir o governo sem que haja uma razão objectiva para isso.
Em face desta perspectiva muitos me tentam convencer que há maior risco na candidatura populista do que na socialista, principalmente pela ideia de que a destruição do sistema seria mais favorável a esse tipo de atitude.
Mas a minha experiência também me lembra de que o único presidente que tomou uma decisão de destituir um governo com maioria parlamentar foi exactamente um presidente de origem socialista.
Fiquei como estava e tenho pena.
A sorte que tenho é ter fé e, por isso, seja o que Deus quiser.