Há mais de 40 mil anos uma cria de mamute terá morrido afogada na lama quando tinha pouco mais de um mês de idade. Em 2007 um cuidador de renas russo encontrou o cadáver, com 85 cm de altura e 130 cm de largura, e entregou-o ao museu Shemanovsy. Em sinal de gratidão, o museu chamou ao pequeno mamute Lyuba – diminutivo de Lyubov que em russo significa amor e que é o nome da mulher do cuidador.

A cria, que foi preservada pelo gelo da tundra siberiana e é o exemplar mais bem conservado entre todos os mamutes encontrados, vai estar, a partir de hoje, em exibição na exposição Mamutes: os gigantes da Idade do Gelo, no Museu de História Natural em Londres, naquela que é a primeira viagem de Lyuba ao ocidente.

Lyuba permitiu perceber alguns dos segredos destes animais parentes dos elefantes que estão extintos há 4000 anos. Por exemplo, os investigadores encontraram nos intestinos da cria vestígios de leite materno e restos de erva que terão sido mastigados pela mãe para que o pequeno mamute conseguisse digeri-los, escreve o El Mundo.

Mas a descoberta deste exemplar bem conservado também levantou a questão: “Quando poderemos clonar um mamute?”. O cientista que clonou a ovelha Dolly, Ian Wilmut, acha que a ciência pode estar a 50 anos de clonar espécies extintas como o mamute. O método usado consistiria em recuperar o núcleo das células do animal do tecido congelado, implantá-lo no óvulo (ao qual se retiraria o núcleo) de um elefante africano e criar um embrião com genes de mamute que seria implantado no útero do elefante fémea. O período de incubação rondaria os 22 meses, explica o El Mundo.

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Mas nem todos na comunidade científica desejam a clonagem de animais extintos. É o caso de Adrian Lister, especialista em mamíferos do Museu de História Natural de Londres, citado pelo El Mundo. Lister acha que ainda é cedo para falar da ressurreição dos mamutes: “O ADN encontrado em Lyuba está muito fragmentado e não está organizado em células. (…) Não sou dos que acha que a clonagem está ao virar da esquina”. E mesmo que seja possível fazê-lo em 50 anos, como sugeriu Wilmut, levantam-se questões éticas, segundo Lister: “Que sentido terá ressuscitar um par de exemplares quando sabemos que o habitat desapareceu e que eles eram animais que viviam em manadas? Até que ponto poderíamos justificar cientificamente a clonagem?”. Lister defende que a comunidade científica deveria concentrar-se em “tentar evitar a todo o custo a extinção dos elefantes”.

Como refere o El Mundo, do continente asiático têm chegado notícias sobre a clonagem de mamutes. Akira Iritani, da Universidade de Quioto, anunciou que os planos para a clonagem de um mamute estão avançados no seu laboratório no Japão e que é possivel que em 2016 nasça a primeira cria de um mamute a partir de um elefante africano. O sul-coreano Hwang Woo-Suk, que cometeu uma fraude nas suas experimentações para clonar embriões humanos, anunciou também ter chegado a um acordo com a Universidade da República de Sakha para tentar clonar a espécie.