Os cidadãos sírios refugiados noutros países da região devido à guerra civil vão poder votar nas eleições presidenciais do próximo dia 3 de junho. Aliás, já o estão a fazer, e são um trunfo do governo de Bashar al-Assad, com as embaixadas sírias no Líbano e na Jordânia a falarem em enchentes.

Apesar de as eleições serem para a semana, as mesas de voto em países como o Líbano e a Jordânia abriram esta quarta-feira. Só no Líbano, a ONU estima que haja mais de um milhão de refugiados sírios, metade dos quais em idade de votar. Mas os relatos no local mostram que só há em Beirute uma assembleia de voto aberta, que se tem revelado insuficiente para o elevado número de cidadãos que tem chegado ao longo do dia para votar.

De acordo com relatos feitos pela Associated Press, a grande maioria é apoiante de Assad que, das duas uma: ou votam para mostrar a lealdade ao presidente ou, no caso de não serem fiéis ao regime mas também não terem especial apreço pelas forças da oposição, votam com medo de serem impedidos de um dia voltar a casa.

Na terça-feira, o ministro sírio dos Negócios Estrangeiros veio dizer que os Emirados Árabes Unidos tinham proibido os refugiados de votar, à semelhança do que tinham feito Alemanha, França e Bélgica. Uma”conspiração contra a Síria”, disse o ministro, acrescentando que mais de 200 mil pessoas se tinham registado em 39 embaixadas sírias no estrangeiro para votar.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas estima que o conflito armado, que começou em março de 2011 com protestos contra o regime autocrático da família Assad, já tenha feito mais de 2,8 milhões de refugiados na região – entre o Líbano, o Egito, a Jordânia, o Iraque e a Turquia. A par disto, estima-se que mais de 160 mil pessoas tenham morrido nos confrontos entre as milícias organizadas da oposição e as forças do presidente Bashar al-Assad.

Esta é a primeira vez em décadas que a Síria organiza um ato eleitoral com mais do que um nome no boletim de voto. São três, na verdade. Mas os outros dois – Maher Abdul-Hafiz Hajjar, de 46 anos, e Hassan bin Abdullah al-Nouri, de 54, são dois advogados quase desconhecidos da população que, segundo os correspondentes da BBC, não tiveram hipótese de fazer campanha em pé de igualdade com Assad.

Por isso o atual presidente é o expectável vencedor das eleições do dia 3, que lhe deverão garantir um terceiro mandato de sete anos na liderança do regime sírio. Já está no poder há 14 anos e, antes dele, foi o seu pai quem governou o país durante 30. O regime sírio está a publicitar a eleição como a solução para o fim do conflito, mas o ocidente, e a generalidade da comunidade internacional, apenas vêem como uma farsa para criar a ilusão de democracia.