A Apple apresentou o novo sistema operativo iOS 8 na segunda-feira, no primeiro dia da sua conferência anual de programação em São Francisco. A novidade consiste nos dois kits que já vêm incorporados no software, que prometem facilitar a vida nas tarefas domésticas e no objetivo de ter uma vida saudável. O facto a reter é o grande investimento na complementaridade entre os vários dispositivos do universo Apple. E a confirmação de que o software só vai ser compatível para modelos do 4S para cima. Ou seja, o iPhone 4 vai deixar de merecer a atenção da Apple e dos programadores que desenvolvem conteúdo para este telefone.

Nada que fosse totalmente inesperado, uma vez que o anterior sistema operativo iOS 7, quando foi lançado, começou por mostrar um desempenho pouco eficaz nos modelos mais antigos do iPhone. Apesar de, depois de algumas atualizações, a Apple ter conseguido corrigir as falhas, a introdução do novo sistema operativo ontem anunciada torna este modelo obsoleto para o novo sistema operativo.

Com o novo iOS 8, a Apple vai mais longe no sentido de facilitar o dia a dia dos seus utilizadores – e de conseguir maior integração de informação disponível. Para isso, introduz no software dois kits de utilidades. O primeiro, o HealthKit (Kit de saúde), ajuda os utilizadores a monitorizar o seu estado de saúde e funciona como centro de várias aplicações de fitness e prática de exercício. O segundo, o HomeKit (Kit de casa), inclui elementos de controlo automatizado que permitem comandar fechaduras, portas de garagem e ligar e desligar luzes a partir do dispositivo Apple – seja iPhone, iPad ou Mac.

Além disto, a empresa de Tim Cook começou por apresentar o novo sistema operativo OS X Yosemite, que inclui alterações de design e funcionalidades que completam a integração do iOS 8 no ecossistema Apple. Inédito foi o anúncio de que, pela primeira vez, irá ser disponibilizada uma versão “beta” do novo sistema operativo no verão, com o objetivo de recolher a experiência dos utilizadores até que seja lançada (gratuitamente) a versão final, no outono.

Numa altura em que smartphones e tablets têm todos formas e design globalmente semelhantes, tanto a Apple como a Samsung ou a Google estão a focar-se em diferenciar o seu produto através de software e de serviços que corram nos dispositivos.

Com as novas apresentações, a Apple parece estar a querer posicionar-se num mundo onde os gadgets funcionam como orientadores da vida das pessoas e onde os vários produtos da marca se complementam, permitindo uma utilização contínua entre eles. “Os nossos sistemas, dispositivos e serviços funcionam juntos, em harmonia”, disse Tim Cook durante a conferência. “Juntos fornecem uma experiência contínua e integrada ao longo de todos os nossos produtos”.

No fim de maio, quando anunciou a compra da empresa Beats Electronics, o presidente executivo da Apple tinha revelado que se preparava para “fazer coisas grandes, coisas excitantes, no curto prazo”, falando do que havia de ser revelado na conferência que começou ontem e se estende até ao dia 6. As melhorias no software deixam assim em evidência o caminho que a Apple está a querer seguir para fazer frente à pressão que tem vindo a recair sobre o diretor executivo desde a morte de Steve Jobs, em 2011.

 

Artigo revisto às 17h42, em função de sugestões apresentadas por leitores sobre o futuro do iPhone 4.