“Sim.” Foi esta resposta telegráfica que António Costa deu a uma das perguntas endereçada pelo jornal Expresso, num questionário publicado neste sábado. “Mantém-se como presidente da Câmara [municipal de Lisboa] se ganhar as primárias?” Em 2011, disse o contrário.

António José Seguro, atual secretário geral do Partido Socialista, e António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que vão disputar a liderança do partido no dia 28 de Setembro através de eleições primárias até agora não conseguiram acordar um debate presencial entre os dois. O secretário geral do PS, ainda esta semana, afirmou não perceber porque é que António Costa tinha “medo” de debater as ideias para o partido.

Neste sábado, o jornal Expresso contornou o problema ao enviar um questionário para ambos os políticos com 14 perguntas iguais e uma especifica para cada um. A de António Costa era: “Mantém-se como presidente da Câmara [municipal de Lisboa] se ganhar as primárias?” António Costa respondeu só quem “sim”, sem clarificar o até quando.

Em 2011, António Costa, quando se esteve para se candidatar ao cargo de líder do PS, defendeu o contrário: “O PS precisa de um secretário-geral a tempo inteiro e o município de Lisboa com um presidente com dedicação exclusiva”. “Honrar a confiança que em mim depositam os lisboetas, cumprir o compromisso que assumi com a cidade que me elegeu e exercer com total paixão as funções públicas que me estão confiadas é não só meu dever como melhor contributo que posso dar a credibilizar a política e credibilizar o PS”, acrescentou então.

Seguro admite qualquer coligação

Já António José Seguro, no mesmo inquérito, admitiu não excluir “qualquer coligação de governo ou acordo de incidência parlamentar”, que “deve ter como base os valores e os princípios do projecto de governo socialista.” Nem mesmo uma coligação com o Partido pela Terra (MPT), que agora tem como figura de destaque o ex-bastonário dar ordem dos advogados, Marinho e Pinto, está excluída.

Seguro assume que uma das principais prioridades actuais é devolver as pensões e admite também que uma revisão constitucional, neste momento, “não é prioritária”. Questionado sobre se a eliminação da sobretaxa de IRS, o líder parlamentar do PS afirma que esta deve ser feita de forma “progressiva”.

Os dois camaradas do Partido Socialista são unânimes na opinião que António Guterres seria um candidato presidencial “muito forte”.