O secretário-geral do PS, António José Seguro, congratulou-se esta quinta-feira por estarem encerradas as discussões sobre estatutos no partido e disse não perceber qual o medo do presidente da câmara de Lisboa, António Costa, para não aceitar debates.

“O mais importante é que finalmente acabaram as discussões sobre normas, regras, congressos, temos eleições primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro no dia 28 de setembro e o que desejo é que todos nos concentremos no essencial, no debate de propostas e no debate de ideias”, declarou o líder socialista.

António José Seguro falava aos jornalistas no final de cinco horas de reunião da comissão política nacional do PS, que aprovou a sua proposta de regulamento para a realização de eleições primárias com uma maioria de dois terços.

Nesse novo período interno de debate de propostas e de ideias, António José Seguro vincou a importância da existência de debates públicos com o presidente da câmara de Lisboa. “Tenho pena que António Costa nestas quatro semanas tenha recusado permanentemente esse debate. Não sei do que ele tem medo”, disse.

Perante os jornalistas, o secretário-geral do PS insistiu várias vezes que está disponível para travar debates com o o autarca de Lisboa antes do ato eleitoral, referindo que vários órgãos de comunicação social já fizeram convites nesse sentido.

“Espero que António Costa, democraticamente, aceite debater e possamos ter debates tranquilos, serenos e frontais para que os portugueses possam perceber as diferenças de projetos (que eu ainda não encontrei) para o país”, afirmou.

Questionado sobre o facto de o presidente da câmara de Lisboa, António Costa, ter advertido na reunião da comissão política do PS que não se revia no processo de eleições primárias, António José Seguro advogou que “cada um assume as suas responsabilidades”.

“O PS ganhou duas eleições nacionais nos últimos oito meses e esta crise não estava prevista. Portanto, António Costa é responsável pelas suas atitudes e comportamentos”, frisou.

Interrogado sobre se a comissão nacional de jurisdição do PS tem a credibilidade suficiente para tutelar a fiscalização do processo de eleições primárias, o secretário-geral reagiu: “Era o que mais faltava que o PS, que tem órgãos eleitos democraticamente, tivesse problemas dessa natureza”.

Nas suas declarações aos jornalistas, o líder socialista defendeu que o PS “está numa crise provocada por António Costa”.

“Enquanto líder do PS, a minha responsabilidade foi ter encontrado uma solução. A solução que encontrei e foi aprovada é aberta à participação de todos os socialistas, militantes e simpatizantes, credibilizará a política e aumentará a qualidade da nossa democracia”, sustentou.

Na reunião da comissão política do PS, um dos pontos de maior divergência entre Costa e Seguro foi a data de encerramentos dos cadernos eleitorais, acabando o secretário-geral por fazer aprovar a data de 12 de setembro.

Questionado sobre a razão que o levou a não aceitar que os cadernos eleitorais encerrassem mais cedo, como defendeu o presidente da Câmara de Lisboa, o líder socialista respondeu: “Mas eu aceitei. Não só aceitei como propus o dia 12 de setembro em vez de 21 do mesmo mês. Mas não vou discutir mais normas ou regras, nem considero que seja isso que os portugueses exigem do PS”, acrescentou.

Durante a reunião, confrontado com críticas do setor ligado ao presidente da câmara de Lisboa, António José Seguro respondeu: “Tenho enorme autoridade moral”.

“Durante três anos ouvi muito e calei-me”, declarou, citado por um dos membros da comissão política nacional do PS.

assis quer ver propostas para o país

À saída da reunião, o cabeça de lista socialista às europeias, Francisco Assis, afirmou que acabou no PS o tempo para o debate das questões regulamentares e que é obrigação de Costa e Seguro apresentarem as suas propostas aos portugueses.

Francisco Assis lamentou a ausência de consenso entre as correntes do secretário-geral, António José Seguro, e do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, sobre o regulamento das eleições primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro.

“Teria preferido que tivesse prevalecido uma solução de consenso em torno destas questões procedimentais, até para que desaparecesse de vez qualquer suspeita a esse nível. Mas espero que este tenha sido o último momento em que o PS se encontre a tratar de questões procedimentais. A partir deste momento, creio que não há nenhuma razão para se continuar a discutir questões de natureza regulamentar”, defendeu o ex-líder parlamentar socialista.

Francisco Assis sustentou depois que agora o PS tem de se concentrar no trabalho de promover “umas boas eleições primárias”. “E os dois candidatos, António Costa e António José Seguro, têm agora a obrigação de apresentar aos portugueses as suas propostas e ideias. Estamos perante um grande avanço no relacionamento de um partido com a sociedade, porque é a primeira vez que em Portugal vamos ter umas primárias desta natureza”, destacou.

Questionado sobre o ambiente de tensão que marcou a reunião da comissão política do PS, Assis respondeu: “Em partidos políticos, os momentos desta natureza são dominados por alguma tensão”.

“Isso acontece no PS, como acontece nos restantes partidos democráticos. Não vamos entrar aqui em falsos moralismos”, acrescentou.