Em 1997 poucos imaginavam que Garry Kasparov se tornaria o primeiro campeão mundial de xadrez a perder uma partida para uma máquina. Dezessete anos depois, 4 mil engenheiros e cientistas de cerca de 45 países acreditam que um dia poderão fazer o mesmo num possível duelo entre uma equipa de robôs e a Alemanha.

Acontece nesta semana a RoboCup 2014, o maior evento de robótica do mundo e principal competição de futebol entre robôs. O torneio é anual e esta edição ocorre na cidade de João Pessoa, no Brasil, entre os dias 19 e 25 de julho. Durante seis dias, robôs totalmente independentes e livres de comando disputarão um campeonato em equipas representadas por universidades de 45 países. O evento é dividido em cinco categorias e algumas subcategorias e obedecem às mesmas regras de um jogo de futebol convencional, com dois tempos, remates à baliza, golos e faltas.

Portugal marcará presença com três equipas. A Cambada da Universidade de Aveiro disputará a categoria para robôs de tamanho médio e defenderá sua posição no pódio da competição, resultado conseguido na última edição da RoboCup em 2013 em Eindhoven, quando conseguiu o terceiro lugar no resultado geral e o primeiro posto no desafio técnico. Nesta categoria, duas equipes de cinco robôs autónomos de aproximadamente 80 centímetros jogam num relvado de 18 por 12 metros quadrados, equipados com sensores e um computador integrado. Através da comunicação sem fio os robôs podem comunicar-se e receber todos os comandos do árbitro sem nenhuma intervenção humana.

Criada em 2003, a equipa Cambada é constituída por docentes, investigadores e estudantes ligados ao Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da Universidade de Aveiro e à atividade transversal em Robótica Inteligente do Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA).  A equipa já ganhou o título mundial em 2008 e nos cinco anos seguintes alternou entre o segundo e o terceiro lugar no Campeonato Mundial.

Autor: Universidade de Aveiro. Fonte: Universidade de Aveiro.

Crédito: Universidade de Aveiro.

Na categoria de software de simulação de jogos de futebol em 3D, a equipa “FC Portugal 3D”, formada por alunos e professores das Universidades de Aveiro, Porto e Minho, disputarão partidas num ambiente de realidade tridimensional contra algoritmos de outros dez países. A equipa conquistou o terceiro lugar na última edição do campeonato e o primeiro posto no desafio livre entre os países participantes, além do título do Campeonato Europeu de Futebol Robótico disputado este ano na Alemanha.

Por fim, na categoria de simulação de jogos em 2D, a equipa “FCP GPR 2014” das Universidades de Aveiro, Porto e Minho jogará num estádio de futebol virtual representado por um servidor central, que recebe a posição atual de todos os jogadores e da bola e executa comandos básicos a partir de sensores visuais e acústicos.

Sobre o evento

A primeira edição da RoboCup foi realizada em Nagoya, no Japão, em 1997. Desde então, os grandes pesquisadores do mundo e os melhores computadores reúnem-se anualmente num país diferente para disputar um desafio de Inteligência Artificial. O evento não tem fins lucrativos e tem como objetivo a busca pela inovação como desafio para melhorar a qualidade de vida.

Além das disputas relacionadas com o futebol, há também competições em outras três categorias. Na série “Rescue”, robôs projetados para substituir humanos em situações arriscadas enfrentam-se em diversas situações de resgate. Na categoria “@Home”, os robôs desempenham atividades domésticas com a finalidade de ajudar pessoas com dificuldades motoras, como idosos e deficientes. Há, ainda, uma modalidade industrial, voltada para tarefas logísticas e, na série “RoboCupJunior”, estudantes do ensino secundário de todo o mundo criam robôs com algum tipo de inteligência artificial.