O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a economia mundial cresça menos em 2014 do que esperava em abril e defende que muitas economias avançadas e emergentes precisam urgentemente de reformas estruturais. Na atualização das projeções do World Economic Outlook, apresentadas nesta quinta-feira na Cidade do México, o fundo diz que o crescimento económico global esperado foi reduzido em três pontos percentuais, de 3,7% para 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

As razões são em grande parte conjunturais: a economia mundial cresceu menos na primeira metade do ano em grande parte devido a ajustamentos de stocks e ao mau tempo nos Estados Unidos. No entanto, o fraco crescimento, especialmente sentido nas economias emergentes, deve-se a razões mais estruturais, caso da China, que viu a procura interna ser mais fraca que o esperado devido aos esforços das autoridades chinesas em controlar o crescimento no crédito e a correção no mercado imobiliário.

Uma parte do mais fraco crescimento da primeira metade do ano será compensado na segunda metade, mas outra irá persistir na segunda metade do ano, o que leva à correção das estimativas para o total do ano. A China também já está a adotar medidas para corrigir a queda na procura interna. Mas as razões também são estruturais e, por isso mesmo, o FMI passa uma receita às economias mundiais bem conhecida dos portugueses: mais reformas estruturais.

“Em muitas economias desenvolvidas e emergentes, são necessárias reformas estruturais urgentes”, diz o fundo, defendendo que estas são essenciais para aumentar produtividade e o potencial de crescimento das economias. O fundo defende a importância da redução do esforço de consolidação orçamental para não prejudicar a reforma e que este tem de ser ajustado para suportar não só a retoma mas também o crescimento no longo prazo.

Mas este alívio, juntamente com as melhorias nos mercados de crédito e das taxas de juro mais baixas, não estão a ser suficientes para criar um aumento sustentável e robusto da procura interna destes países. Para sustentar a retoma, o FMI diz que, para além das reformas estruturais, é preciso manter a política monetária acomodatícia em todas as principais económicas desenvolvidas e completar a reforma da regulação do sistema financeiro.

Riscos persistem. Ucrânia e Médio Oriente podem dar mais dores de cabeça.

O FMI alerta que os riscos para o crescimento económico mundial continuam a ser relevantes, em especial no que diz respeito a questões geopolíticas. O recente aumento das tensões no Médio Orienta, com a escalada da violência entre Israel e o Hamas, levam a que o receio do aumento dos preços do petróleo sejam maiores.

A questão da Ucrânia continua também a fazer mossa e isso viu-se já na revisão da projeção para o crescimento económico da Rússia este ano, com o fundo a prever agora que cresça menos 1,1% do PIB do que esperava em abril. As projeções foram revistas em baixa também para 2015, onde esperam um crescimento inferior em 1,3% do PIB ao estimado em abril.

China e Brasil também devem crescer menos que o previsto em abril, menos 0,2 e menos 0,6 pontos percentuais, respectivamente, tanto para 2014 como para 2015. A organização alerta também para os riscos associados à reversão das medidas não convencionais de política monetária que têm sido colocadas em prática nos últimos anos para responder à crise.

Para além disto, o fundo vê ainda risco de estagnação das economias desenvolvidas no médio prazo, de persistência de baixos níveis de inflação na zona euro, e de choques nas condições financeiras e saída de capitais nas economias emergentes, caso aconteça uma mudança de sentimento no mercado financeiro.

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