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O PSD veio a terreno defender a solução do Banco de Portugal e o Governo. O porta-voz do PSD, Marco António Costa disse hoje em conferência de imprensa que a solução escolhida pelo Governador do BdP, Carlos Costa, “evita o recurso a soluções do passado e que comprovadamente não se revelaram as mais adequadas para o interesse nacional”.

O PSD tem como objetivo marcar a diferença para aquilo que foi feito aquando da nacionalização do BPN e para isso garante que

“não há dinheiro dos portugueses injetado nos bancos: quem responderá serão todos os bancos sem exceção e o Banco de Portugal, que lidera o processo”.

O PSD quis passar a mensagem que há uma separação entre Banco de Portugal e Governo neste processo e que, por isso, não fazia sentido que o primeiro-ministro desse a cara pela solução de Carlos Costa. Os partidos da oposição têm acusado o primeiro-ministro de não ter estado ontem ao lado do governador, uma vez que o Estado acaba por emprestar dinheiro ao Fundo de Resolução. Marco António Costa não concorda e defendeu a ideia que não fazia sentido que “quer o primeiro-ministro, quer a ministra das Finanças, assumam o papel de porta-vozes do conselho de administração do Banco de Portugal”. “Se é uma decisão estritamente do Banco de Portugal porque haveria de estar o primeiro-ministro a falar pelo Banco de Portugal?“, questionou.

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Passado o tempo da decisão, é tempo político, diz Marco António, e por isso o PSD deixa em aberto a possibilidade de a ministra das Finanças ser ouvida no Parlamento para dar explicações sobre o caso, como pede o PS. Segundo o porta-voz do PSD, o partido “defende toda a lógica de transparência da vida pública e por isso tem toda a disponibilidade para prestar informações”. Até porque “terminou o tempo do BdP: a partir daqui abre-se um tempo para o debate político e o Governo tem todo o interesse em prestar todas as explicações e todas as informações no âmbito da comissão permanente”. Sendo assim, o PSD não colocará “nenhuma objeção para produzir esse debate, para manter este clima que se revela de confiança, mas também um clima que se revela positivo”.

Na conferência de imprensa de reação à solução para o BES, Marco António Costa quis ainda deixar garantias aos “pequenos e médios empresários”: “Agora podem contar com o apoio do Novo Banco. Tal situação é tão mais relevante e importante porque nos encontramos numa fase decisiva do crescimento económico e do recuo do desemprego”, disse. Para reforçar a ideia, disse que assim se “protegem as dezenas de milhares de empresas, os trabalhadores das mesmas, o crescimento económico e o recuo do desemprego”.

PCP diz que o Governo se “escondeu atrás do Banco de Portugal”

Antes de o PSD falar, foi a vez do PCP acusar o Governo de se “esconder atrás do Banco de Portugal”. Disse o dirigente comunista Agostinho Lopes que “é por decisão e responsabilidade [do Governo e do Banco de Portugal] que, invocando a defesa dos depositantes, se fez a transferência, para as mãos do grande capital, de milhares de milhões de euros”.

Para o PCP, a decisão de intervir no BES via Fundo de Resolução é um “embuste dirigido para enganar os portugueses” e uma “colossal mistificação”. Além de criticar a solução encontrada, o PCP alerta para o que considera ser uma “falsificação que o Governo e o Banco de Portugal têm verificado sobre os testes de stress e a solidez da banca”.