O BCP já enviou a Frankfurt a sua defesa após o chumbo no teste de stress, sabe o Observador. No plano entregue ao BCE, o banco liderado por Nuno Amado indica as razões pelas quais, na sua leitura, as insuficiências detetadas pelo exercício – num hipotético cenário económico adverso – já foram supridas desde 31 de dezembro de 2013, a data de referência do exercício. O BCP defende, assim, que não serão necessárias novas medidas de reforço dos capitais. Contactado pelo Observador, o Banco Central Europeu não comenta.

O banco tinha duas semanas para enviar ao Mecanismo Único de Supervisão – o organismo sob a alçada do BCE – um relatório com as medidas de reforço de capital tomadas entre 31 de dezembro e agora, evitando, assim que o banco tenha de fazer um novo aumento de capital ou vender ativos. Caberá, agora, a Frankfurt pronunciar-se sobre se aceita, ou não, as medidas já tomadas. Isto depois de o BCP ter sido um dos 25 bancos da zona euro cujos capitais ficariam abaixo do mínimo exigido num cenário adverso.

Analistas ouvidos pelo Observador acreditam que o BCE irá validar as medidas já tomadas pelo BCP. O próprio Banco de Portugal afirmou, no dia 26 de outubro, quando foram conhecidos os resultados do teste de stress, que “no caso específico do BCP, o facto do teste de esforço não ter permitido captar a globalidade da trajetória positiva decorrente da implementação do plano de reestruturação negociado com a Comissão Europeia, nem tomar em consideração medidas que o banco poderia adotar caso o cenário adverso se materializasse efetivamente”.

Entre as medidas que o banco já tomou, e que integram agora a sua argumentação, estão os resultados (antes de provisões) superiores ao estimado até ao momento em 2014, a venda em maio da participação de 49% nas entidades seguradoras do ramo não-vida e venda das obrigações emitidas no âmbito das operações de securitização relativa ao défice tarifário, instrumentos que penalizaram o resultado do BCP no exercício.

Logo a 26 de outubro, o BCP indicou que esta seria a resposta: “O Conselho de Administração considera que, em resultado da execução estimada de 2014 e as medidas já decididas, a necessidade de capital identificada já se encontra suprida, e reafirma a sua plena confiança no plano estratégico definido, na sua rigorosa execução e no profissionalismo dos colaboradores do banco”.