Mais de 40 corpos já foram encontrados no mar de Java pela agência nacional indonésia de busca e salvamento da Indonésia (BASARNAS). Pouco depois das 12h portuguesas, contudo, apenas três corpos tinham sido retirados da água pelas autoridades. Antes, durante a madrugada, cerca de uma dezena de objetos, de cor vermelha e branca, foram avistados a boiarem no mar, a cerca de 10 quilómetros do local onde o Airbus 320-200, da AirAsia, fora detetado pela última vez, na madrugada de domingo. A companhia aérea, entretanto, já confirmou que os destroços correspondem ao avião, cujo paradeiro ainda é desconhecido.

Bambang Soelistyo, chefe da agência indonésia, revelou que “hoje foram evacuados três corpos” para “o navio de guerra Bung Tomo”, um de vários que participa nas operações de busca. O dirigente, que discursou numa conferência de imprensa realizada em Jacarta, capital indonésia, e citada pela agência France-Presse, acrescentou que os corpos correspondem a dois mulheres e um homem. As buscas, devido ao anoitecer — o fuso horário indonésio tem mais sete horas em relação ao português –, já terminaram por hoje e serão retomadas na quarta-feira.

Já a AirAsia, em comunicado publicado na página oficial de Facebook, lamentou “informar que a agência nacional de busca e salvamento da Indonésia confirmou hoje que os destroços encontrados pertencem ao [voo] QZ8501, que perdeu contacto com o controlo de tráfego aéreo na manhã de 28” de dezembro. Os objetos foram encontrados a 110 milhas náuticas — cerca de 200 quilómetros — de Pangkalan Bun, na província de Kalimantan, na ilha do Bornéu.

No mesmo texto, Tony Fernandes, presidente da AirAsia, revelou estar “absolutamente devastado” e garantiu que “a prioridade é o bem-estar dos familiares de todos aqueles que seguiam a bordo” do Airbus 320-200 — 155 passageiros (divididos entre 137 adultos, 17 crianças e um bebé), dois pilotos, quatro assistentes de bordo e um engenheiro.

Bambang Sulistyo, chefe da agência nacional indonésia de busca e salvamento, revelou que 11 mergulhadores já foram enviados para o local. Em Surabaya, a segunda maior cidade do país, onde os familiares dos 162 passageiros se encontram reunidos, as pessoas, escreveu a Associated Press, reagiram com choro e histeria quando a TV One, uma estação de televisão indonésia, mostrou imagens de um corpo a boiar na água do mar.

E foi em Surabaya que Joko Widodo, presidente da Indonésia, discursou sobre o desenvolvimento das operações de buscar. O líder, de 53 anos, proferiu palavras de agradecimento às nações que, com meios, têm participado nos trabalhos — como a Singapura, o Reino Unido, a Malásia ou a Austrália. Widodo, que não aceitou responder às perguntas de jornalistas, referiu ainda, segundo o The Guardian, que o objetivo é resgatar os corpos o mais rápido possível.

 

Perto das 9 horas portuguesas, um avião da Força Aérea indonésia avistou o que descreveu como “uma sombra” no leito do mar com “o formato de um avião”, revelou Soelistyo, ao falar numa conferência de imprensa realizada ao início da manhã. A profundidade do mar na zona em causa situa-se entre os 25 e os 30 metros, de acordo com a agência France-Presse.

O voo QZ8501 da Airasia, recorde-se, transportava 162 pessoas e desapareceu dos radares às 7h24 (hora portuguesa) de domingo. A TV One, uma estação de televisão indonésia, chegou a mostrar imagens de vários corpos a boiarem na água, perto do local onde também foram avistados os destroços do avião.

(aviso: vídeo contém imagens de um corpo a boiar na água)

Familiares acompanharão buscas na quarta-feira

Também nesta terça-feira — o terceiro dia de buscar aéreas e marítimas — a AirAsia Indonésia revelou que amanhã, quarta-feira, levará os familiares dos passageiros do voo QZ8501 à zona onde decorrem as buscas, que foram esta manhã alargadas para 13 zonas, incluindo algumas áreas terrestres, escreveu a BBC.

Sunu Widyatmoko, diretor executivo da empresa, que falava em conferência de imprensa no Aeroporto Internacional de Juanda, em Surabaia (de onde descolou o avião no domingo, com destino a Singapura), os familiares acreditam que “a sua presença e as suas rezas irão ajudar a equipa de buscas a localizar” a aeronave.

O avião partirá de Surabaia, a uma hora ainda por definir, com familiares e alguns jornalistas, e regressará à maior cidade do leste da ilha indonésia de Java, de onde partiu o aparelho desaparecido, ainda no mesmo dia.