Seul advertiu esta sexta-feira que a Coreia do Norte deve abordar o diálogo com a Coreia do Sul sem condições prévias se realmente pretende uma melhoria das relações, um dia depois de Pyongyang ter demonstrado abertura para conversações.

O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, afirmou, esta quinta-feira, estar disponível para um diálogo “ao mais alto nível” com Seul, na sua tradicional mensagem de Ano Novo, apesar de também ter pedido a Seul para cessar as manobras militares conjuntas com Washington, as quais condena por constituírem um “ensaio de uma guerra nuclear”.

“A Coreia do Norte deve apresentar-se a diálogo sem condições prévias se quer, de forma sincera, melhorar as relações Sul-Norte”, disse o porta-voz do Ministério da Unificação Lim Byeong-Cheol, aos jornalistas.

O mesmo responsável descartou, porém, a possibilidade de Seul ceder à pressão de Pyongyang para parar com os exercícios militares.

A Coreia do Sul e os Estados Unidos realizam anualmente uma série de manobras , incluindo uma que se inicia no final de fevereiro.

Na sua mensagem de Ano Novo, Kim Jong-un sublinhou, contudo, que as conversações não poderiam desenrolar-se de forma significativa sob “uma atmosfera bélica em que exercícios de guerra, visando o outro lado, estão em andamento”.

A manifestação de abertura por parte de Kim Jong-un surgiu depois de, na segunda-feira, o ministro da Unificação da Coreia do Sul ter proposto a Pyongyang a realização, este mês, de conversações de alto nível, para abordar “preocupações mútuas”, incluindo a da reunião das famílias separadas pelo conflito.

“Nós deveríamos escrever uma nova história nas relações Norte-Sul. Não há razão para não realizarmos conversações ao mais alto nível”, afirmou o jovem líder norte-coreano, instando a uma “grande mudança” nas tensas relações entre as duas Coreias.

A última ronda de negociações de alto nível, e a primeira em sete anos, decorreu em fevereiro último, tendo resultado num raro encontro de famílias separadas, o primeiro desde outubro de 2010.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra depois de o conflito que as opôs (1950-53) ter terminado com a assinatura de um armistício nunca substituído por um tratado de paz definitivo.