O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse às autoridades gregas que o país está a enfrentar uma situação crítica e que devem deixar os técnicos das instituições europeias regressar a Atenas, caso ainda queiram ajuda, avançaram duas fontes próximas das autoridades europeias à Bloomberg.

Na reunião de segunda-feira do Eurogrupo, Mario Draghi disse ao ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que as contas do Governo precisam de ser examinados para determinar o seu défice financeiro.

As fontes pediram para não serem identificadas, mas o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem já tinha dito na segunda-feira que tinha sido “acordado que não havia mais tempo para desperdiçar” e que quando fosse necessário, “as equipas técnicas das instituições seriam bem-vindas a Atenas”

Na segunda-feira, os gregos concordaram que o trabalho técnico dos representantes da Comissão Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional (que antes eram designados por troika) sobre Atenas arrancasse na quarta-feira, em Bruxelas. Contudo, Draghi já terá dito que vai ser necessário deslocaram-se à capital grega.

Uma fonte europeia afirmou na segunda-feira que não existem reservas de tesouraria para durar mais do que três semanas e que é improvável que Atenas venha a receber os 1,9 mil milhões que os bancos centrais da zona euro tiveram em lucros com a compra de dívida grega no pico da crise.

Depois da reunião de segunda-feira, Varoufakis disse que a troika era uma “cabala de tecnocratas que costumava chegar a Atenas e entrar nos ministérios, com uma espécie de jogo de poder, que parecia uma atitude colonial” e que esse hábito tinha terminado. “Vamo-nos assegurar que vamos dar às instituições todas as informações que elas precisem”, avançou.

Uma fonte europeia disse à Bloomberg que era impossível auditar as contas do Governo grego sem que os técnicos fossem a Atenas. Caso não vão, o Governo grego precisará de enviar centenas de colaboradores a Bruxelas, para que o trabalho seja concluído.