Um grupo de 20 eurodeputados de vários Estados-membros, entre os quais três portugueses, do PS, PCP e Bloco de Esquerda, apelaram à realização de uma conferência internacional sobre a reestruturação das dívidas soberanas.

Numa carta enviada a Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, é considerado “urgente” um debate sobre as políticas levadas a cabo na Europa e que, sugerem, deve passar também pela “convocação de uma Conferência Internacional para a reestruturação das dívidas soberanas dos países periféricos da zona euro e para o relançamento do investimento na União Europeia”.

Entre os 20 deputados ao Parlamento Europeu subscritores estão os portugueses João Ferreira, do PCP, Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, e Liliana Rodrigues, do Partido Socialista.

Segundo o comunicado do Bloco de Esquerda, que deu conta do envio da missiva, “a iniciativa partiu dos eurodeputados Marisa Matias e João Ferreira, aos quais se juntou também Liliana Rodrigues”, sendo que o primeiro grupo de subscritores irá agora mobilizar-se para recolher mais apoios junto de outros eurodeputados.

Entre os 20 subscritores, além dos três deputados de Portugal, estão parlamentares de Espanha, como o líder do movimento espanhol Podemos, Pablo Iglesias, assim como da Grécia, Irlanda, Alemanha, Holanda ou Dinamarca.

Na carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, e com conhecimento para o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considera-se que a crise “não tem fim à vista”, até porque as economias mais fragilizadas estão ameaçadas por novos riscos, como a deflação, pelo que, diz, “não podem ser ignorados” problemas como o aumento da pobreza e desemprego que as políticas atuais não resolvem.

“A recente decisão da Comissão Europeia de colocar vários países da zona euro sob vigilância por graves desequilíbrios macroeconómicos, nomeadamente por défice excessivo e aumento das dívidas públicas e do desemprego, ao mesmo tempo que a Alemanha tem um elevado excedente comercial, é apenas mais um sinal das assimetrias do euro e da falência das políticas de austeridade”, lê-se no documento.

Os deputados subscritores referem-se ainda às negociações que decorrem entre a União Europeia e o Governo grego para considerarem que estas demonstram a “incapacidade” das instituições europeias de “debateram políticas para lá do quadro da austeridade”.