A Grécia está preparar-se para declarar bancarrota, ou seja, incumprir com o pagamento de dívida pública, caso não cheguem a bom porto as negociações que terminam no final desta semana. O Financial Times falou com fontes próximas do governo e com, pelo menos, uma fonte do governo liderado por Alexis Tsipras e a mensagem que é passada é que, se não houver acordo, a Grécia irá falhar com o pagamento dos 2,5 mil milhões que deve ao Fundo Monetário Internacional e que tem de reembolsar em maio e junho. Sobe a pressão em antecipação ao prazo (até esta sexta-feira) dado pelos credores para que o governo apresente um plano de reformas que os credores considerem credível e suficientemente detalhado.

Chegámos ao fim da linha“, disse uma fonte do governo grego ao Financial Times esta segunda-feira. “Se os europeus não desbloquearem dinheiro do resgate, não haverá alternativa” a uma falha de pagamentos”, afirmou a fonte.

A mensagem, que como o próprio FT admite, pode tratar-se de uma “tática negocial”, não deixa de mostrar o estado em que estarão os cofres públicos de Atenas e as dificuldades graves que o Tesouro está a ter para financiar a despesa pública corrente e os reembolsos de dívida, que nesta fase dizem respeito sobretudo aos credores com quem Atenas está a negociar, em especial o FMI.

Esta manhã de segunda-feira, o vice-presidente da Comissão Europeia disse que as negociações estão a ser “muito complicadas”, em parte porque o governo de Atenas “tem tido alguma retórica que não ajuda em nada”. As palavras, citadas pela Bloomberg, foram de Valdis Dombrovskis, antigo primeiro-ministro da Letónia e atual vice-presidente da Comissão Europeia. O responsável garante, contudo, que “é claro que do lado das instituições estamos dispostos a trabalhar com o novo governo grego”, condicionando a prestação da mais ajuda financeira aos progressos no impasse que se vive e ao acordo sobre as matérias que continuam a separar a Grécia e os credores.