O primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, exortou a população do país a evitar a retaliação contra cidadãos sul-africanos face à onda de violência xenófoba na África do Sul, apelando à calma e à serenidade.

“Queremos que todo o povo se mantenha calmo e sereno. Não podemos repetir as más ações dos sul-africanos aqui no nosso país. Ao retaliarmos, estaremos a gerar mais violência aqui, que se irá repetir também na África do sul, assim sendo, a violência nunca mais acabará”, afirmou Carlos Agostinho do Rosário, falando à imprensa no município da Matola, arredores da capital moçambicana, no âmbito do lançamento da campanha de saneamento do meio, organizada pelo Ministério de Saúde.

Além de gerar uma corrente de violência, de acordo com Carlos Agostinho do Rosário, as ações de retaliação aos ataques xenófobos podem condicionar a capacidade produtiva de Moçambique, na medida em que existe muita mão-de-obra sul-africana a trabalhar no país.

“Se mandarmos embora os nossos colegas da África do Sul, vamos perder a nossa capacidade de produzir e, com isso, o emprego não vai acontecer”, declarou o primeiro-ministro, garantindo que o Governo moçambicano está a acompanhar o desenvolvimento dos acontecimentos e vai tomar medidas brevemente.

As últimas atualizações das autoridades moçambicanas indicam que 107 moçambicanos, incluindo 21 crianças, regressaram a Moçambique na madrugada de sexta-feira e foram instalados num campo em Boane, província de Maputo, repatriados da África do Sul devido à onda de violência xenófoba no país.

Desde que começou a onde de violência xenófoba contra estrangeiros africanos na África do Sul, várias manifestações de populares em retaliação ao fenómeno foram registadas em Moçambique.

Na sexta-feira, um grupo de moçambicanos, maioritariamente trabalhadores da construção civil, cortou a principal estrada entre Moçambique e a África do Sul durante cerca de 30 minutos, em retaliação contra a xenofobia.

Na quinta-feira, centenas de moçambicanos impediram, sem violência, a entrada de cidadãos sul-africanos nas minas de carvão da Vale em Tete, centro de Moçambique, também em retaliação à onda de xenofobia na África do sul.

Hoje, nas primeiras horas da manhã, mais de cem pessoas manifestaram-se na capital moçambicana contra a onda de violência xenófoba na África do Sul, numa marcha que teve como destino a Embaixada sul-africana em Maputo.