Programa aprovado no bolso por quase unanimidade, mas “não com pensamento único”, um novo PS, que aposta acima de tudo no emprego, mas também na inovação, que até começa no cenário. António Costa, o homem que quer ser primeiro-ministro e que tem “sentido de humor”, apresentou-se com uma mensagem a que quer um novo impulso: “Alternativa de confiança” com um objetivo basilar, o emprego, “que não se decreta” e por isso é “a causa das causas”. Como? “À minha maneira”, a música dos Xutos  Pontapés, que serviu de encerramento à Convenção.

No encerramento da Convenção socialista, marcada para a discussão e aprovação do programa eleitoral, o líder socialista lançou aquele que vai ser o discurso dos próximos meses: o tudo ou nada pela criação de emprego. E este parte da economia e não da legislação. Até porque o emprego (e o desemprego) não “se decreta”, nem se resolve constitucionalmente: “Nem que colocássemos na Constituição uma norma com um limite máximo ao desemprego”.

A política de coligação e de eleições ficou fora, não se ouviu a expressão “maioria absoluta” da boca do secretário-geral do PS. O objetivo era outro: o de passar cá para fora que o partido tem um programa “de contas certas”, com medidas com contas “simuladas na medida em que é possível fazer”, para fazer descer o desemprego e aumentar a qualidade de vida dos portugueses.

“Não estamos aqui com promessas em segunda mão, não estamos aqui com linhas de orientação”, disse. Com o programa eleitoral na mão, a intenção foi fazer o contraponto com o programa do outro lado, da coligação PSD/CDS, que trespassou o discurso de uma ponta à outra.

E essa diferença começa nas medidas do programa. Foi desfiando as principais. A descida das contribuições para empregadores e trabalhadores; a descida do IVA da restauração; o aumento do salário mínimo nacional; a eliminação da sobretaxa de IRS; a criação de uma nova prestação social para tirar pessoas do limiar de pobreza; a aposta na qualificação de adultos ao longo da vida; o alargamento do trabalho parcial a avós; o fim do banco de horas individual; repor as 35 horas de trabalho na função pública; limitação dos contratos a prazo; penalização excessiva dos recibos verdes; as políticas ativas de emprego, que coloquem os jovens mais qualificados nas empresas, sobretudo exportadoras e industriais; as políticas que ajudem ao regresso de emigrantes e o apoio à natalidade. “Mais: o emprego é uma questão essencial aos próprios empresários. Sem ele não haverá aumento da procura e sem isso eles não rentabilizam a sua atividade”.

Até porque nas palavras do líder socialista, há políticas que favorecem a criação e políticas que a destroem – a da direita, acusou. “O primeiro-ministro confunde economia com a contabilidade”, finalizou.

Maioria absoluta ou coligações?

Quando Costa foi ao centro do palco, tinha acabado de discursar o histórico socialista Manuel Alegre, que alertou para o facto de as eleições ainda não estarem ganhas e de ser preciso dialogar à esquerda, mesmo com aqueles partidos que não querem falar. Costa contornou o assunto. Preferiu falar de políticas, sobretudo, daquelas que estão nas 89 páginas do programa e das opções de política: um “programa de causas”, com apoio de “independentes”, que quer “recuperar a proximidade” e que tem como objetivo

“parar com os quatro anos de sobressalto, em que ninguém sabe o salário que vai ter, as pensões, os impostos que vai ter de pagar. E para isso é preciso parar com esta política”.

Para os próximos meses – e para o fim da convenção – ficam as palavras finais que ditam o mote para o caminho até às eleições legislativas.

“Saímos com as contas certas, saímos com uma exigente agenda europeia, com um programa de Governo participado e votado, que é o compromisso com os portugueses. É por isso que vale a pena. Somos uma alternativa de confiança. Vamos fazer diferente, vamos fazer melhor”.