O papa Francisco saiu, no domingo à noite, da Nunciatura Apostólica, onde está hospedado em Quito, no Equador, para rezar na rua com os fiéis que ali faziam vigília. Momentos antes, o Papa Francisco tinha instado os equatorianos a fomentar o diálogo e a participação sem exclusões, no seu discurso em Quito, a primeira etapa da viagem que o levará também à Bolívia e ao Paraguai.

“Vou abençoá-los para que descansem e deixem dormir os vizinhos”, disse o Papa, aos fiéis, que estavam em vigília na rua, de acordo com vários relatos no Twitter.

Francisco rezou o ‘Pai Nosso’ e voltou a entrar na sede da Nunciatura, mas deixou os crentes felizes e emocionados. Imagens nas redes sociais mostram o papa com os braços abertos aos fiéis que estavam à sua frente, numa aparente quebra do rigoroso protocolo que se aplica a este tipo de deslocações.

Horas antes, no seu discurso no aeroporto de Quito, o Papa Francisco tinha instado os equatorianos a fomentar o diálogo e a participação sem exclusões, na primeira etapa da viagem que o levará também à Bolívia e ao Paraguai.

Citando alguns santos do país, o Papa Francisco instou o país “a afrontar os desafios atuais, valorizando as diferenças, fomentando o diálogo e a participação sem exclusões para que a realização do progresso e do desenvolvimento que se estão a alcançar garantam um futuro melhor para todos”.

O Papa assegurou ao presidente do Equador, Rafael Correa, que este “pode contar com o compromisso e a colaboração da Igreja” para tudo.

O Papa iniciou hoje, em Quito, uma viagem de nove dias por três países da América Latina, Equador, Bolívia e Paraguai, marcados pela desigualdade, pobreza e a pesada herança de regimes autoritários.

Até 13 de julho, o primeiro papa jesuíta latino-americano cumpre a viagem mais longa desde que foi eleito, em março de 2013, durante a qual fará 22 discursos e subirá sete vezes a bordo de um avião para percorrer 24 mil quilómetros.

A participação da Igreja Católica no “debate democrático”, o respeito “pela identidade cultural de cada país”, a proteção do ambiente e das famílias “que sofrem”, especialmente as famílias monoparentais, são temas que o papa vai abordar, declarou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

[Notícia atualizada às 6h50 com informação sobre a saída do Papa da Nunciatura para rezar com os fiéis na rua]