São revelações de quem esteve na primeira fila a assistir ao desenrolar das negociações entre a Grécia e o Eurogrupo, ao mesmo tempo que ajudava Yanis Varoufakis a desenhar um plano B, caso os gregos optassem (ou fossem empurrados) para um grexit. James Kenneth Galbraith, economista e amigo do ex-ministro das Finanças, conta o que esteve sempre em causa nos bastidores do Eurogrupo: Wolfgang Schäuble nunca aceitou aceder às exigências dos gregos, não por acreditar no programa económico traçado para Atenas, mas porque não poderia admitir fazer “concessões a um país”. O preço? Schäuble e a Alemanha “perderiam o controlo” da Zona Euro.

Em entrevista à Bloomberg, Galbraith garante que Varoufakis e Schäuble têm uma “boa relação pessoal” e que nunca foi esse o grão de areia na engrenagem das negociações. A Grécia, diz o norte-americano, viu-se envolvida num diferendo entre “a Alemanha e a França sobre questões estruturais da economia francesa”. E com essas duas visões diferentes para o futuro da economia europeia em jogo, os alemães nunca poderiam fazer concessões.

O economista adiantou ainda que ajudou Varoufakis a desenhar um plano B para o futuro da Grécia longe do Euro. Não aquele que passaria por fazer hacking (intrusão de sistemas informáticos) das informações fiscais dos contribuintes e das empresas, como entretanto foi tornado público, mas sim, um que permitisse a criação de um “sistema de pagamentos” capaz de ser implementado com rapidez, que permitisse garantir o pagamento das pensões e que ajudasse a resolver a fragilidade da moeda grega, caso Atenas fosse forçada “a situações extremas”.

O economista, que em abril, em entrevista ao Observador, já tinha revelado alguns detalhes sobre as negociações entre gregos e credores, explicou também como, um a um, Tsipras e Varoufakis foram cedendo em todos os pontos de honra. Até à rutura que esteve na origem do referendo. Primeiro, foram obrigados a fazer “concessões nas linhas principais do programa fiscal”, até serem confrontados com novas imposições no que diz respeito ao sistema de pensões e na organização do mercado laboral. “A estratégia dos credores europeus era não ceder em absolutamente nada. Essa estratégia tornou-se clara no final do jogo”, acrescentou Galbraith, antes de defender que só uma renegociação da dívida pública grega pode estacar verdadeiramente a crise.