Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) manifestou “simpatia pelo Japão” hoje, no 70.º aniversário do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima, mas lembrou que aquele país “tambem cometeu crimes de guerra”.

As cerimónias organizadas para assinalar a efeméride “encaminham a opinião das pessoas apenas para o facto de o Japão ter sido uma vítima da bomba atómica, mas fecha os olhos às razões porque isso aconteceu”, afirma o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, órgão central do PCC.

Num dos raros comentários publicados na imprensa oficial chinesa acerca do 70.º aniversário do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima, o Global Times afirma que aquele tipo de cerimónias branqueia o facto de que o Japão “cometeu também crimes de guerra”.

“Isto mostra como o Japão é adepto da intriga e do calculismo”, acrescenta o jornal num editorial intitulado “O Japão deve lembrar a causa de Hiroshima”.

Num artigo de página inteira, traduzido de uma agência noticiosa ocidental, o Global Times refere que “uma ligeira maioria dos americanos pensa que o lançamento da bomba atómica foi justificado”.

O Japão ocupou parte da China durante oito anos (1937-45) e os dois países mantêm um aceso contencioso acerca das ilhas Diaoyu (Senkaku, em japonês), um minúsculo e desabitado arquipélago do Mar do Leste da China.

Cerca de 80.000 pessoas morreram quando um avião norte-americano, pela primeira vez na História, lançou uma bomba atómica sobre uma cidade, no dia 06 de agosto de 1945, e nos quatro meses seguintes as radiações mataram mais 60.000.