O Parlamento inglês discute, esta quarta-feira, o envolvimento do Reino-Unido no conflito da Síria. A proposta do primeiro-ministro David Cameron não tem sido pacífica, com manifestações populares nas ruas e sem a garantia de apoio da totalidade dos deputados do seu Partido Conservador – espera-se que entre 10 a 15 conservadores votem contra a proposta. Na oposição, o líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn anunciou que iria dar liberdade de voto sobre a matéria, mas existem relatos de pressões para os deputados votarem contra a entrada dos ingleses na guerra síria.

Tudo isto levou Cameron a comparar, esta terça-feira, Corbyn e os seus parceiros a “simpatizantes dos terroristas”, numa última tentativa de reunir os votos suficientes para aprovar o plano militar. Segundo conta o Telegraph, vários membros do Partido Trabalhista ficaram em lágrimas depois de alguns ativistas os terem avisado que iriam “assassinar mulheres e crianças” se apoiassem a intervenção militar. Outras fontes revelaram ao jornal que alguns deputados foram mesmo ameaçados com o despedimento e que foi enviada a uma militante uma fotografia de um bebé morto juntamente com uma mensagem a exigir o voto contra.

O próprio líder da oposição chegou a dizer que os deputados que apoiem Cameron nesta decisão não terão “nenhum esconderijo” para se esconderem quando as pessoas inocentes começarem a morrer.

Por tudo isto, depois de uma reunião na noite desta terça-feira, o primeiro-ministro britânico avisou os membros do Parlamento que não vão querer ser envolvidos “nos lobbies com Jeremy Corbyn e de um grupo de simpatizantes de terroristas”, apelando também aqueles que “como eu, concordam na necessidade de derrotar o Estado Islâmico” a juntarem-se a ele.

Já esta quarta-feira David Cameron defendeu a necessidade de bombardear as posições do grupo extremista Estado Islâmico na Síria durante a abertura do debate parlamentar sobre a realização de ataques aéreos.

Na Câmara dos Comuns, Cameron reconheceu a complexidade da situação síria mas insistiu que o Reino Unido enfrenta uma ameaça que se relaciona com a segurança nacional provocada pelo crescimento da organização extremista.

Os deputados britânicos devem debater durante as próximas dez horas o envolvimento do Reino Unido nas operações aéreas contra o Estado Islâmico na Síria, antes de procederem à votação que previsivelmente vai decorrer por volta das 22:00.