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Não espera “surpresas” nem “conversões” dos partidos da esquerda com quem estabeleceu acordos governativos e aguarda que o PSD se liberte do “casulo” onde tem vivido e “regresse à vida democrática”. Em entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro, António Costa, afirma que os acordos com a Comissão Europeia nem chegaram a ser um conflito” e nem teme futuras avaliações das agências de rating. De políticas, fala de impostos, das 35 horas semanais na Função Pública, da TAP e da CGD.

Na entrevista publicada este sábado, António Costa mostra-se tranquilo em relação aos acordos firmados com a esquerda e espera poder vir, também, a manter o mesmo “diálogo político” com a direita. Com o CDS “em renovação” e o PSD a persistir “nas suas políticas e visão do mundo”, Costa diz ser necessário “respeitar um certo luto que a direita tem de fazer para se tornar um parceiro mais ativo” e não “continuar agarrada ao debate sobre os quatro anos que passaram”.

“Há matérias que, pela sua natureza, convidam a consensos políticos mais amplos e acho que seria uma pena se o PSD continuasse fechado naquele casulo perdido no passado e não regressasse ao tempo presente”, diz.

Costa recusa que o acordo com Bruxelas tenha sido feito à custa do aumento de impostos. “Se olhar só para os impostos, a carga fiscal baixa de 0,2 pontos percentuais relativamente a 2015 e baixa 0,4 pontos relativamente aquilo que era o programa do PSD e do CDS”, afirma. A diferença é que “eles” aumentavam os impostos sobe o trabalho e o governo socialista aumenta sobre o crédito ao consumo, sobre o tabaco e os produtos petrolíferos.

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Quanto à questão das 35 horas de trabalho para a Função Pública, Costa mantém que esta carga horária será “reposta” embora não avance com uma data. A única condição é que todos os gestores públicos garantam esse horário sem aumentar custos e mantendo os mesmos recursos. Costa afirma que a lei é igual para todos, mas tem consciência que há serviços onde estas medidas terão de ser ajustadas.

Questionado se, por acaso, se sentiu “derrotado” por conseguir apenas 50% da TAP e não a maioria do capital, Costa refere que o objetivo do acordo era assegurar o controlo estratégico. E que isso foi feito. Em relação à Caixa Geral de Depósitos (CGD), Costa garante que, apesar da necessidade de uma aumento de capital, enquanto estiver no Governo o banco será 100% público.