A atual vice-presidente da Comissão Europeia, a búlgara Kristalina Georgieva, poderá oficializar nos próximos dias a sua candidatura a secretária-geral da ONU. Georgieva, apontada como potencial candidata já desde o final de 2015, ainda não confirmou a sua entrada na corrida, mas, de acordo com a imprensa búlgara, poderá fazê-lo em breve. A confirmar-se, trata-se de uma concorrente poderosa contra António Guterres. A possível candidatura da búlgara já está, contudo, a criar problemas nas relações entre a Alemanha e a Rússia.

A Bulgária já apresentou Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, como candidata oficial ao cargo, mas Kristalina Georgieva pode ser apoiada por outros países, como a Hungria, a Croácia ou a Letónia — a que se somam a Alemanha.

De acordo com a imprensa búlgara, a vice-presidente da Comissão é uma das preferências da chanceler alemã, Angela Merkel, que terá tentado reunir-se com Georgieva na última cimeira do G20, na China, onde também terá tentado influenciar a Rússia a apoiar a possível candidata. Mas esta posição da Alemanha não agradou a Moscovo.

De acordo com Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Vladimir Putin disse a Merkel que “a nomeação de um candidato para o cargo de secretário-geral da ONU é uma decisão soberana de um país e qualquer tentativa de influenciar essa decisão direta ou indiretamente é inaceitável”. Esta resposta veio desmentir a informação, avançada pela imprensa búlgara, de que Moscovo teria garantido o apoio a Georgieva.

A resposta alemã chegou esta segunda-feira, pela voz de Martin Schäfer, porta-voz da diplomacia do país, que lamentou que a Rússia “divulgue coisas objetivamente falsas”, classificando a atitude russa como “hostil”. A ideia da Alemanha seria propor uma candidata que pudesse pôr de acordo os cinco países que ocupam os lugares permanentes no Conselho de Segurança da ONU, mas a tensão entre os dois países pode condenar à partida a nomeação de Georgieva.

A verdade é que não há nenhum impedimento à entrada de um candidato a meio da corrida, nem sequer à nomeação de um candidato por um país que não seja o seu. Até agora, o português António Guterres venceu as primeiras quatro votações secretas — 21 de julho, 5 de agosto, 29 de agosto e 9 de setembro. Irina Bokova, a candidata oficial búlgara, foi a mulher mais bem colocada, em quinto lugar. Christiana Figueres, candidata costa-riquenha, ficou na última posição, juntamente com Danilo Turk, Helen Clark e Natalia Gherman, e optou por retirar a sua candidatura ao cargo.