Espanha não tem governo desde 20 de dezembro de 2015. Na Catalunha, o “sim” à independência tem vindo a ganhar terreno nas sondagens e o respetivo parlamento tem insistido na convocação de um referendo para setembro de 2017. O sentimento da população não será caso único: na Galiza ou no País Basco, por exemplo, o amor à região é, regra geral, bem maior que o amor à pátria.

Mas nada como mexer com a identidade gastronómica de um país para obrigar esse mesmo país a unir-se perante o ultraje. Foi o que aconteceu nos últimos dias, depois de Jamie Oliver ter anunciado, via Twitter e Facebook, a receita da sua versão da paella espanhola.

https://twitter.com/jamieoliver/status/783251738509836288

A inclusão de chouriço na paella provocou o ressurgimento cibernético do fenómeno outrora conhecido por fúria espanhola. “Vandalismo cultural”, disseram uns. “Nem tudo o que tem arroz é paella“, gritaram outros. Resultado: um exército de nuestros hermanos indignados invadiu o Twitter, as caixas de comentários do site e da página de Facebook do chef/empresário/autor/apresentador britânico para expor a sua revolta perante a adulteração da receita original, típica da região de Valência. Nalguns casos, diga-se, com muito bom humor.

https://twitter.com/llim0na/status/783266716906389504

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Não é a primeira vez que Oliver se vê metido numa embrulhada deste género. Em fevereiro de 2015, uma receita de bacalhau à Brás passível de pôr o pobre Brás a dar voltas na tumba provocou reações semelhantes em Portugal. Até agora, o britânico ainda não reagiu à polémica. Tendo em conta episódios anteriores, não será previsível que o faça.