Os dois militares que morreram durante o curso dos comandos no Campo de Tiro de Alcochete em setembro ficaram duas horas sem assistência médica, de acordo com informação avançada pelo Correio da Manhã. O jornal cita a investigação da Judiciária Militar em articulação com o DIAP (Departamento de Investigação e Ação Policial) e conclui que houve erro médico na morte dos dois comandos.

Segundo o jornal, estavam 25 militares na enfermaria na tarde de 4 de setembro, incluindo os dois jovens que vieram a falecer. O médico de serviço abandonou as instalações às 19h00 horas depois de considerar os doentes não urgentes, deixando as mais de 20 vítimas ao cuidado de dois enfermeiros e dois socorristas. O médico em causa alega que saiu para ir preparar o Hospital das Forças Armadas para receber as vítimas. De acordo com a informação citada pelo Correio da Manhã, não foi chamado outro médico que estava de escala para aquele curso dos comandos.

Pouco depois das 20h30, os enfermeiros chamaram o INEM. Hugo Abreu, que se sentia mal desde o início da tarde, tinha entrado em paragem cardiorrespiratória. Quando o INEM chegou, às 21h00, estava morto e outro militar, Dylan Silva, encontrava-se em pré-coma com falência de órgãos por causa de desidratação. Foi levado para o Hospital do Barreiro, acabando por falecer no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, no dia 10.

Os exames de toxicologia que foram realizados aos dois militares não encontraram vestígios de substâncias dopantes que possam ter acelerado os processos de desidratação extrema que sofreram.

O jornal descreve ainda um episódio que aconteceu no mesmo dia, um domingo excecionalmente quente, com temperatura máxima de 36 graus. Quatro comandos desfaleceram logo nos primeiros treinos da manhã. Não almoçaram, foram apenas hidratados e depois integrados na formatura e tiro de combate. Quando voltaram a cair, houve a intervenção do médico dos comandos, que segundo o Correio da Manhã, terá dado ordens para que os militares rastejarem até à ambulância.

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