A Coleção Berardo vai manter-se no Centro Cultural de Belém (CCB) por mais seis anos, na sequência de um acordo alcançado entre o Ministério da Cultura e Joe Berardo, noticiou esta terça-feira o Público citando uma fonte do governo.

De acordo com o jornal Público, o Governo e o empresário chegaram a acordo sobre a continuidade da coleção de arte moderna no CCB, prevendo renovações automáticas a partir de 2022, “se não for denunciado por nenhuma das partes”.

O empresário e o gabinete do Ministério da Cultura confirmaram ao Público o fecho das negociações que começaram antes do verão. A assinatura da “adenda ao acordo de 2006” será feita na quarta-feira no CCB, em Lisboa.

O Governo vai manter também a opção de compra da Coleção Berardo instalada no museu do CCB, de acordo com o protocolo fechado.

Contactada pela agência Lusa, fonte do gabinete do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, indicou que “o Estado vai manter o direito de preferência na aquisição da coleção”, composta por cerca de 900 obras, de acordo com o protocolo assinado em 2016.

Quanto ao conteúdo do protocolo, o Ministério da Cultura adiantou apenas que caberá à Fundação Berardo decidir se as entradas continuarão a ser gratuitas.

O Público realçou, contudo, ainda que a Fundação Berardo “vai passar a assumir as despesas da bilhética e fica obrigada a garantir entradas grátis pelo menos um dia por semana”.

A adenda obtida pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, “garante que as mais de 900 obras do Museu Coleção Berardo, instalado no CCB desde junho de 2007, vão ficar exatamente onde estão, pelo menos até ao final de 2022”, revelou o jornal.

O acordo entre as partes foi assinado em 2006 e o museu abriu em junho de 2007, tendo as aquisições sido feitas nesse ano e no seguinte, surgindo a Coleção Estado/Berardo, com um total de 214 peças de artistas portugueses e estrangeiros, que “atualmente está parada”.

O acordo de empréstimo das obras da coleção de arte do empresário para a criação do Museu Berardo, instalado no CCB, terminava a 31 de dezembro deste ano.

Em julho, no parlamento, Luís Filipe Castro Mendes anunciou que a opção tinha sido renegociar o acordo porque o Governo e Berardo estavam interessados em manter a coleção em Portugal.

O Museu Berardo abriu com um acervo inicial de 862 obras da coleção de arte do empresário, cedidas ao Estado, e avaliadas nessa altura em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie’s.

O museu celebrou nove anos em junho passado, com mais de seis milhões de visitantes das exposições permanentes e temporárias, segundo dados do museu.

Ministro da cultura diz que é “satisfatório para todos”

O ministro da Cultura afirmou-se esta terça-feira, em Bruxelas, “muito satisfeito” com o acordo alcançado com a Fundação Berardo para a manutenção da coleção no Centro Cultural de Belém (CCB), considerando que o mesmo é positivo para todas as partes.

“Devo dizer que estou muito satisfeito com o resultado, que o resultado é um resultado satisfatório para todas as partes envolvidas, ‘win-win’, como se diz agora. Eu penso que é ‘win-win’ porque ambos temos satisfação”, declarou Luís Castro Mendes.

Segundo o ministro da Cultura, que elogiou a “atmosfera de colaboração” em que decorreram as negociações, a satisfação do Estado passa por manter “tranquilamente, num sentido de estabilidade e de tranquilidade, a coleção em Portugal, contrariamente a todas as previsões catastrofistas de que as obras iam ser retiradas, as obras iam ser vendidas, as obras iam ser exportadas”.

“Não foi isso que se passou, as obras continuam aqui, exatamente nas mesmas condições ou até em melhores condições do que aquelas que foram definidas em 2006”, afirmou aos jornalistas, à margem de uma reunião de ministros da Cultura da UE.