A Justiça espanhola divulga esta sexta-feira a sentença do caso Nóos, um julgamento que envolve a irmã do rei de Espanha, infanta Cristina, suspeita de evasão fiscal, e o marido, Inaki Urdangarin acusado de fraude e desvio de dinheiros públicos.

Ao todo vão ser conhecidas as sentenças de 17 suspeitos que estão no banco dos réus, depois de começarem a ser julgados em janeiro do ano passado num caso que envolve negócios feitos pelo Instituto Nóos, uma organização sem fins lucrativos, com sede em Palma de Maiorca, que Inaki Urdangarin, cunhado do rei Felipe VI, fundou e presidiu entre 2004 e 2006.

A decisão do juiz é conhecida 11 anos depois do início do caso, quando um deputado socialista pediu explicações pelos custos elevados de um fórum sobre turismo e desporto organizado por Iñaki Urdangarin para o Governo regional das Ilhas Baleares. Urdangarin é acusado de ter utilizado as suas ligações à família real para ganhar concursos públicos para organizar, entre outros, eventos desportivos, tendo em seguida desviado fundos para a Aizoon, uma empresa que ele geria em conjunto com a infanta Cristina e utilizava para financiar o seu estilo de vida luxuoso.

O Ministério Público anticorrupção pediu em junho de 2016 uma pena de prisão de 19 anos e meio e uma multa de 980 mil euros para Inaki Urdangarin e uma pena de prisão de 16,5 anos para o seu sócio, Diego Torres, que também é acusado de peculato.

Desde o início do caso, a acusação recusou a apresentação de uma queixa contra a infanta Cristina de Borbón, que juntamente com o marido também se suspeita que tenha utilizado a Aizoon para realizar despesas pessoais, incluindo obras numa mansão em Barcelona, o que permitiu reduzir lucros tributáveis da empresa. Entretanto, uma organização chamada ‘Mãos Limpas’ levou a tribunal o caso da alegada evasão fiscal da princesa, visto que a lei espanhola permite que grupos privados possam iniciar este tipo de processos penais. Durante o julgamento, a infanta negou ter conhecimento das atividades do marido.

Este caso de corrupção que envolve a irmã do rei tem sido seguido com grande interesse em Espanha e no estrangeiro, tendo manchado a reputação da monarquia e contribuído para a abdicação do rei Juan Carlos, em junho de 2014, a favor do filho.