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Nomeação de Lacerda Machado para a TAP é “uma pouca vergonha”, diz Passos Coelho

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O líder do PSD, Passos Coelho, diz que é "uma pouca vergonha" o Governo nomear para administrador da TAP "o mesmo homem que andou a negociar a reversão" da privatização da transportadora.

JOSÉ COELHO/LUSA

O líder do PSD, Passos Coelho, considerou no sábado à noite que é “uma pouca vergonha” o Governo nomear para administrador da TAP “o mesmo homem que andou a negociar a reversão” da privatização da transportadora.

“Isto é uma pouca vergonha, não tem outra classificação. E fica tão mal a quem nomeia como a quem aceita”, afirmou Passos Coelho, ao discursar durante a convenção autárquica do PSD de Viseu.

Miguel Frasquilho, antigo dirigente social-democrata, vai ser o novo presidente do conselho de administração da TAP, confirmou no sábado o jornal Expresso, que avançou ainda o nome do advogado Lacerda Machado e da líder da Fundação Serralves, Ana Pinho, para vogais.

A nomeação de Lacerda Machado já tinha sido noticiada. O jornal Eco avançou em janeiro que o advogado que negociou vários dossiês como consultor do Estado dizia que Lacerda Machado ia ser indicado para presidente do conselho de administração não executivo (chairman) da transportadora. Na altura, o advogado negou ter recebido um convite. O Ministério das Infraestruturas que tutela a TAP reagiu à notícia, descrevendo-a como uma “especulação desinformada”.

Diogo Lacerda Machado, amigo do primeiro-ministro, António Costa, integrou as negociações com os acionistas privados para que o Estado voltasse a ter maioria do capital da TAP. O acordo alcançado com a Gateway de David Neeleman e Humberto Pedrosa garantiu ao Estado recuperar 50% do capital da transportadora, mas esta negócio ainda não foi concretizado.

Passos Coelho disse que quem está no Governo não se pode “andar a meter nas eleições autárquicas, a fazer favores aos autarcas amigos e do partido, como acontece com este Governo de forma descarada”.

“A nível nacional é a mesma coisa. O mesmo homem que andou a negociar a reversão da TAP parece que vai ser nomeado administrador da TAP pelo Estado. É uma coisa extraordinária. Tudo isto se faz esperando que ninguém diga nada”, lamentou.

Escolha de Lacerda Machado será uma “nódoa” permanente

Este domingo, o líder social-democrata reiterou as críticas ao Governo socialista, elevando a pressão. Se o Governo mantiver o advogado Lacerda Machado na administração da TAP, disse Passos, essa será “uma decisão errada” e “uma nódoa que vai ficar naquela administração”.

Falando durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura, que decorre até dia 18 em Santarém, Pedro Passos Coelho afirmou que a decisão cabe ao Governo, mas que manter na administração da companhia aérea o nome da pessoa que esteve envolvida na negociação da reversão da privatização da TAP, de que resultou um contrato com o Estado, “ficará como uma nódoa na nova administração”.

Questionado sobre se o facto de o economista e militante do PSD Miguel Frasquilho presidir à administração da empresa não o tranquiliza, Passos afirmou que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”, pois o Governo escolhe quem entender para representar o Estado nas empresas em que tem participação.

“Referi-me a uma situação em concreto que acho que não é uma situação correta”, disse, retomando declarações feitas no sábado à noite na convenção autárquica do PSD do distrito de Viseu.

Passos Coelho recordou que Lacerda Machado, “inicialmente até, ao que se dizia, ‘pro bono’, estava a negociar em nome do Governo a reversão da operação” de privatização da TAP, de que resultou “um contrato com o Estado para regularizar essa situação”, sendo agora nomeado como administrador da empresa em cujo processo negocial com o Estado esteve envolvido.

“Isso a mim parece-me que é uma coisa que é o que é, que eu já disse, e que ficará como uma nódoa na nova administração, disso não tenho dúvida nenhuma”, declarou.

Questionado sobre se esperava uma declaração do Presidente da República sobre esta matéria, o presidente do PSD afirmou não ter “nenhuma expectativa particular em relação a isso”.

“Tenho dito muitas vezes que não incluo o senhor Presidente da República na nossa intervenção partidária. São coisas distintas”, declarou, sublinhando que as suas declarações “valem por si e têm como destinatário o país e os portugueses”.

* Artigo atualizado com as declarações de Passos este domingo

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