É tudo uma questão de altura em relação ao solo. Os poluentes, ou pelo menos a maioria, são mais pesados do que o ar, pelo que tendem a concentrar-se junto ao solo. É por isso que a norma define a altura onde devem ser colocados os sensores que analisam o ar que respiramos, para evitar que, posicionados a 15 ou mais metros, determinem uma percentagem de produtos tóxicos inferior à real. O mesmo raciocínio pode – e deve – ser aplicado às crianças, uma vez que o facto de terem o nariz mais próximo do solo, especialmente se se deslocarem num carrinho de bebé, expõe-nas a um risco muito superior ao que os pais podem imaginar.

A situação, que já era conhecida no plano teórico, foi agora materializada em números pela Global Action Plan, ONG que avaliou a poluição em diversas cidades no Reino Unido (Manchester, Glasgow, Leeds e Londres) para determinar qual a diferença média entre os poluentes inalados por um adulto e por uma criança. E a conclusão é que os petizes inspiram 30% mais de poluentes. Tal provoca danos ao nível dos pulmões e vias respiratórias, muitas vezes irreversíveis, que depois geram doenças crónicas. Pena que o trabalho não tenha considerado igualmente o que acontece nos parques de estacionamento cobertos, onde o problema é similar e ‘ataca’ as crianças mesmo antes de os pais detectarem um ambiente particularmente poluído.

O estudo revela ainda que as crianças que vão para a escola de carro a gasolina ou diesel respiram 2,5 vezes mais produtos tóxicos (partículas de fumo e NOx), comparativamente às que se deslocam a pé por ruas com pouco tráfego. Apesar do estudo não especificar, esta realidade deve ser mais evidente em veículos que circulem de vidros abertos, ou que não estejam equipados com filtros mais eficazes para o ar que entra no habitáculo, através do sistema de ventilação.