O presidente dos EUA, Donald Trump, não ficará sem resposta caso avance com um agravamento das taxas aduaneiras contra o setor automóvel. Essa é a garantia dada por um conjunto de líderes políticos e empresariais da Europa que estiveram reunidos no sul de França, este fim de semana, para uma conferência económica em que os receios de uma “guerra comercial” global dominaram as atenções.

“Se, amanhã, houvesse novos aumentos das taxas aduaneiras em outros setores económicos, como o setor automóvel, a nossa reação teria de ser, uma vez mais, marcada pela união e pela força, de modo a mostrar que a Europa também é um grande motor económico soberano”, garantiu o ministro da Economia de França, Bruno Le Maire, um dos anfitriões deste encontro. O aviso, citado pela Bloomberg, não podia ser mais direto: “se você [Trump] nos atacar novamente, aplicando tarifas, por exemplo, no setor automóvel, considere-se avisado de que iremos reagir”.

A Administração Trump já aplicou taxas alfandegárias sobre as importações de alumínio e o aço, em março, uma decisão que o presidente norte-americano justifica com o desequilíbrio efetivo que existe na balança comercial entre os EUA e a Europa. Numa entrevista recente à Fox, Trump comentou que, no que diz respeito ao comércio internacional, “a Europa é, provavelmente, tão má quanto a China. Só é mais pequena”.

Além de Bruno Le Maire, outros participantes na conferência também manifestaram a sua oposição à possibilidade de serem lançadas mais taxas aduaneiras. Jean-Pierre Clamadieu, presidente da Solvay, comentou que “as questões importantes que estão a marcar o sistema mundial de comércio, desde o Brexit até à guerra comercial entre os EUA e a China são uma preocupação para as empresas num aspeto crucial: o investimento”.

Outro responsável, da consultora McKinsey, Kevin Sneader lamentou que “a tragédia de uma guerra comercial é que penaliza toda a gente — e, caso escale, vai ter um impacto significativo para a economia mundial”.

Há várias semanas que se especula que Trump pode avançar para um agravamento significativo das taxas nas importações norte-americanas de um produto decisivo para a economia mundial: os automóveis. A Comissão Europeia já avisou que se Trump agravar esse imposto aduaneiro irá haver uma retaliação sobre produtos norte-americanos que valem 300 mil milhões de dólares, estando em causa algo como 19% das exportações do país no ano passado.

Questionado nessa entrevista recente sobre a relação com os “aliados” europeus, Trump interrompe e responde: “desculpe, a União Europeia é possivelmente tão má quanto a China. É terrível o que nos fazem”. “Veja o exemplo dos carros”, defende Trump — “eles mandam os Mercedes deles para cá e nós não podemos mandar para lá os nossos carros”.

As empresas norte-americanas do setor, como a General Motors, têm feito avisos repetidos ao presidente norte-americano de que as taxas aduaneiras irão aumentar os preços dos veículos em milhares de dólares, penalizando a competitividade da empresa. Já a alemã BMW, que produz carros na Carolina do Sul e exporta 70% da produção, também avisou que estarão em risco muitos empregos se forem aplicadas as tarifas aduaneiras de que Trump fala há várias semanas.

Outro exemplo dado por Trump: “o que fazem com os nossos agricultores. Eles não querem os nossos produtos lá, porque protegem os agricultores deles. Nós não protegemos os nossos e eles protegem os deles”. “No ano passado, se olharmos para a balança comercial — que eu, pelo menos, acho que é uma coisa importante — a Europa ganhou 151 mil milhões de dólares”, comentou Trump, comentando que “ama” os países como a Alemanha e a Escócia “mas eles tratam-nos muito mal”.

Além disso, lembra Trump, “gastámos uma fortuna com a NATO, para os proteger”.