Governo

Augusto Santos Silva. Novos acordos à esquerda exigem “nível de comprometimento superior” ao atual

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Em nome da "estabilidade", Augusto Santos Silva recusa eleições antecipadas. Mas defende que novos entendimentos à esquerda terão de passar por áreas como a política externa e europeia.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Se o resultado das próximas eleições voltar a não permitir maiorias absolutas, o PS vai chamar o Bloco para o Governo? “Não é tempo de responder a essa pergunta”, limita-se a responder Augusto Santos Silva, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença. Mas é tempo de o ministro dos Negócios Estrangeiros colocar pressão do lado dos parceiros, como aliás já tinha feito numa entrevista ao Observador no congresso do PS.

Se nós — como eu espero — caminharmos para uma renovação da atual solução política, ela exigirá certamente um nível de comprometimento superior àquele que se verifica neste mandato.”

Na entrevista ao diário, Santos Silva diz que os compromissos que fundamentam o acordo de 2015 entre PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV estão esgotados porque foram cumpridos. Isso significa que, no pós-eleições de 2019, eventuais entendimentos terão de passar por “um acordo que signifique um avanço no que diz respeito a políticas estruturais” em áreas como o ambiente, território, transição energética, política económica, política externa e europeia.

Na última semana, Augusto Santos Silva tomou a dianteira do debate político para afastar “ultimatos” à partida para as negociações do Orçamento do Estado, mas diz que vê como “natural” o distanciamento que alguns parceiros — o Bloco, em particular — têm ensaiado. “O essencial dos acordos conjuntos está cumprido” e “cada um dos nós tem de trabalhar no programa que vai apresentar tendo em vista as próximas eleições”. Serve, diz, como tentativa de “aumentar a sua influência política e eleitoral”.

Exigências como as do Bloco de Esquerda, que pretendia ver concretizada a contratação de seis mil profissionais de saúde ainda antes de o Orçamento do Estado ficar fechado, “são novas, não são compromissos do programa de Governo com o cenário macro-económico que desenhámos”. Essa troca de argumentos não será um sinal de que a “geringonça” está gasta e de que os partidos precisam de eleições já?

Não. É muito importante que a atual solução política mostre que é estável e que vai completar a legislatura”, defende.

E, depois de na semana passada ter recusado ceder a “ultimatos” dos parceiros — a mensagem era dirigida ao Bloco de Esquerda —, agora, Santos Silva está descansado. “Não tenho hoje nenhuma preocupação.”

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