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Estivadores

Greve dos estivadores no porto de Setúbal vai continuar “enquanto não estiverem resolvidos os problemas noutros portos”

Depois da reunião com o Ministério do Mar e 13 entidades, os estivadores vão continuar a greve no porto de Setúbal até que se resolvam as questões noutros portos do país, informou Ana Paula Vitorino.

ANDRÉ AREIAS/LUSA

Os trabalhadores do porto de Setúbal vão continuar a paralisação, que já dura desde o dia 5 de novembro. Segundo a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, as questões relacionadas com a contratação dos estivadores “estão resolvidas”, mas o Sindicato dos Estivadores e Atividades Logísticas (SEAL) “exige que estejam resolvidos os problemas que existem noutros portos”, incluindo o porto de Lisboa, do Caniçal e de Leixões, para que a greve seja levantada.

Depois de uma reunião entre o Ministério do Mar, os estivadores e 13 entidades, que teve início esta segunda-feira e continuou até esta sexta-feira, ficou acordado que em vez dos 30 trabalhadores propostos inicialmente pela Operestiva, Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, para estabelecerem contratos sem termo, serão 56 trabalhadores a serem incluídos. “Todas as pessoas que vão ser contratadas pertencem hoje à lista dos eventuais do porto de Setúbal”, garantiu Ana Paula Vitorino, acrescentando que “as empresas estão disponíveis para que possam ser contratados de imediato”.

“A determinada altura colocou-se a possibilidade de greve continuar e, por isso, foi suspensa a negociação, mas todas as questões relacionadas com o porto de Setúbal estão praticamente resolvidas”, assegurou a ministra. O sindicato exige, no entanto, que os problemas do porto de Lisboa, do Caniçal e de Leixões sejam resolvidos. “Só se chegar a acordo é que deixa de haver greve por parte do sindicato”, acrescentou.

Esta terça-feira, António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores e Atividades Logísticas (SEAL), adiantou que os estivadores do porto de Setúbal e as empresas de trabalho portuário deveriam chegar a um acordo entre ambos os lados até esta sexta-feira, de forma a colocar um ponto final na paralisação, faltando ainda acertar “pequenos aspetos”.

Desde o dia 5 de novembro que o porto de Setúbal está praticamente parado. Os estivadores estão em greve contra a situação de precariedade em que se encontram. De acordo com os sindicatos da estiva, atualmente, mais de 90 trabalhadores do porto de Setúbal estão em situação precária, sendo contratados ao turno e sem vínculo com os operadores portuários. Os trabalhadores reivindicam um contrato coletivo negociado entre o Sindicato dos Estivadores e os operadores portuários. Ainda esta terça-feira, a paralisação — que inicialmente só afetava dois terminais — alargou-se a todo o porto de Setúbal, depois de os trabalhadores da Setulset se terem juntado aos trabalhadores eventuais da Operestiva.

Operestiva diz que não há acordo e vai fazer uma avaliação da viabilidade económica da empresa

“Mais de um ano depois do início das primeiras negociações com os representantes sindicais do Porto de Setúbal, não foi possível chegar a acordo por razões às quais somos totalmente alheios”, indicou em comunicado a Operestiva, salientando que a empresa se disponibilizou a “participar ativamente” numa “alteração profunda” das relações laborais naquele porto.

A Operestiva diz que “criou e abriu vagas” para um quadro permanente de colaboradores, que admitiu tornar maior do que já é, mas que nos últimos dias não foram as condições remuneratórias que estiveram em cima da mesa.

“O único obstáculo à conclusão de um acordo foi a intransigência dos representantes sindicais quanto ao Porto de Leixões e de Sines. Estas são circunstâncias às quais a Operestiva e o Porto de Setúbal são totalmente alheios. E que prejudicam gravemente todos os trabalhadores do Porto de Setúbal”, concluiu a empresa.

Na próxima semana, assegura, o Porto de Setúbal deverá ter uma quebra de 70% na carga movimentada, já que existe uma “fuga” consistente de clientes para outros portos, nomeadamente em Espanha.

“Nestas circunstâncias, a Operestiva vai proceder a uma avaliação da viabilidade económica da empresa”, diz a empresa, garantindo, no entanto, que “estão salvaguardados todos os direitos dos seus trabalhadores”.

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