União Europeia

UE consulta Vaticano mas não porque Maduro pediu

A chefe de diplomacia da União Europeia esclarece que a UE não discutiu com Maduro a composição do grupo de contacto internacional, mas que consultou o Vaticano.

Federica Mogherini, a chefe de diplomacia da União Europeia, aponta para o "importante papel que a diplomacia do Vaticano tem, não só na Venezuela, não só na América Latina, mas em tantos outros países, a começar por África"

Bogdan Cristel/EPA

A chefe de diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, precisou esta segunda-feira que a União Europeia consultou efetivamente o Vaticano sobre a Venezuela devido ao seu importante papel diplomático, mas não porque Nicolás Maduro o tenha pedido.

Questionada sobre a vontade manifestada por Maduro de envolver o Vaticano na mediação da crise que se vive no país, Federica Mogherini começou imediatamente por esclarecer que a UE não discutiu com Maduro a composição do grupo de contacto internacional formado com o objetivo de promover a organização de novas eleições, “livres, justas e credíveis”, na Venezuela, que terá já a sua primeira reunião na quinta-feira, no Uruguai.

“Não consultámos Maduro sobre a composição do grupo de contacto, mas consultámos o Vaticano. Pode imaginar que, tendo também em conta o meu ‘background’ nacional (italiano), isto vem muito naturalmente, mas sobretudo devido ao importante papel que a diplomacia do Vaticano tem, não só na Venezuela, não só na América Latina, mas em tantos outros países, a começar por África”, declarou a Alta Representante da UE para a Política Externa.

Mogherini sustentou que a decisão é no sentido de manter o Vaticano “associado de perto” ao trabalho do grupo de contacto internacional, sucedendo o mesmo “com outros países, como os Estados Unidos, Rússia e China, incluindo países europeus que não fazem parte da UE, casos da Noruega e Suíça”, ainda que não sejam membros do grupo.

A Alta Representante justificou a constituição limitada do grupo de contacto — que inclui UE e oito dos seus Estados-membros, entre os quais Portugal — com a necessidade de não ser numericamente muito extenso, para ter um “formato fácil de gerir, não demasiado grande”, e poder reunir-se com relativa facilidade.

Sobre a ausência do México do grupo de trabalho, indicou que, nos últimos 10 dias, falou por diversas vezes com o ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano, e garantiu que, embora o México não faça parte do grupo, “há uma coordenação próxima” com as autoridades mexicanas.

Por fim, questionada sobre se considera que tem o trabalho dificultado pelo facto de apenas pouco mais de metade dos Estados-membros da UE já terem reconhecido, bilateralmente, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente interino, Mogherini respondeu que se limita a fazer o seu trabalho o melhor que pode.

“Para dizer a verdade, há muito que deixei de me questionar se algo ajuda o meu trabalho ou não. Limito-me a fazer o meu trabalho da melhor maneiro que posso”, declarou.

A primeira reunião do grupo de contacto internacional constituído pela União Europeia para ajudar na organização de novas presidenciais na Venezuela realiza-se no dia 7 de fevereiro em Montevideu, anunciaram no domingo a chefe da diplomacia europeia e o Presidente uruguaio.

A Alta Representante da UE para a Política Externa tinha anunciado na passada quinta-feira a constituição de um grupo de contacto internacional para alcançar, em 90 dias, uma saída pacífica e democrática para a crise na Venezuela com a realização de eleições presidenciais.

O grupo integra, do lado europeu, a UE e Estados-membros como Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia e, do lado latino-americano, Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai. Portugal estará representado na reunião pelo ministro Augusto Santos Silva.

Esta segunda-feira, numa entrevista ao canal de televisão italiano SkyTG24, Maduro adiantou que escreveu ao papa Francisco pedindo a sua ajuda e mediação na crise que enfrenta a Venezuela.

A crise política na Venezuela agravou-se na semana passada quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino.

A crise política na Venezuela, onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

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