O presidente do Comité Judicial da Câmara dos Representantes norte-americana, o democrata Jerrold Nadler, anunciou este domingo que vai exigir documentação a mais de 60 pessoas para investigar suspeitas de obstrução à Justiça, corrupção e abuso de poder que podem envolver o Presidente Donald Trump. A ação, que surge na sequência da audição do ex-advogado de Trump Michael Cohen, pode ser um primeiro passo de um processo que poderá levar a uma tentativa de impeachment a Trump, liderada pelos democratas.

Nadler anunciou este domingo, em entrevista ao programa This Week da cadeia de televisão ABC, que os procedimentos terão início esta segunda-feira: “Amanhã vamos emitir os pedidos de documentação a mais de 60 pessoas diferentes da Casa Branca, do Departamento da Justiça, a Donald Trump Jr., a Allen Weisselberg, para começar as investigações a fim de apresentar um caso ao povo americano”, declarou o democrata e presidente deste Comité do Congresso, o mesmo onde têm início todos os processos de destituição de presidentes.

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O responsável do Comité argumentou, na mesma entrevista, que esta ação se justifica porque o testemunho de Michael Cohen perante o Comité de Supervisão, na passada quarta-feira, “implicou diretamente o Presidente em vários crimes, tanto quando ainda se estava a candidatar ao cargo de Presidente, como já na Casa Branca”. Em causa estão as suspeitas de que Trump poderá ter violado as leis de financiamento de campanha ao pagar diretamente para silenciar uma atriz porno com quem teria tido um caso, a fim de não prejudicar a sua campanha.

Nadler defende que, contudo, os Estados Unidos estão ainda longe de um possível processo de impeachment, mas sugere que esse pode ser o caminho por onde os democratas venham a enveredar: “Antes de destituir alguém, é preciso persuadir o povo americano de que isso deve acontecer”, afirmou o representante democrata. “É necessário persuadir eleitores da oposição suficientes, eleitores de Trump.” A estratégia parece coincidir com as declarações que vários políticos democratas têm feito nos últimos dias, dizendo que é necessário esperar pelos resultados da investigação do procurador-especial Robert Mueller, sobre as suspeitas de conluio com a Rússia, antes de avançar para qualquer processo de destituição.

No entanto, a cautela não significa que Nadler não considere já haver matéria para avançar: “É muito claro que o Presidente obstruiu a Justiça”, disse, sem margem para dúvidas.

Ele já se referiu à investigação de Mueller como uma caça às bruxas 1.100 vezes, ele tentou proteger [o conselheiro Michael] Flynn de ser investigado pelo FBI, ele despediu [o diretor do FBI James] Comey, para travar isto da Rússia”, acrescentou o presidente do Comité Judicial na mesma entrevista.

O próprio Presidente já reagiu a estas notícias, reforçando que considera ser alvo de perseguição. “Sou um homem inocente a ser perseguido por pessoas muito más, divididas e corruptas numa Caça às Bruxas que é ilegal e que nunca devia ter começado. E tudo porque ganhei a Eleição!”