As duas escolas básicas de Campo de Ourique e Campolide são necessárias e não vão desaparecer, mas poderão vir a ser demolidas e reconstruídas noutros locais. A garantia é dada por fonte oficial da Câmara de Lisboa que, na quinta-feira, anunciou que 166 alunos das escolas EB1 Vale de Alcântara, na Quinta do Loureiro, e a EB São Sebastião da Pedreira, nas Avenidas Novas, vão ser temporariamente transferidos para outros estabelecimentos de ensino. Em causa estão problemas “muito graves” nas fundações dos dois edifícios e que, “apesar de não representarem perigo iminente”, deixaram a autarquia “preocupada”.

Fonte oficial do gabinete do vereador da Educação, Manuel Grilo, detalhou ao Observador o que está em causa. “Na São Sebastião da Pedreira estamos a falar de um edifício muito antigo, onde parece haver deterioração das fundações e onde poderá ser complicado fazer uma recuperação do edificado, devido à sua antiguidade. No Vale de Alcântara, que já é uma escola mais recente, o problema passa por ter sido construída em cima de um terreno que aparentemente é pouco estável. As fundações estão a inclinar-se e, por exemplo, a piscina que existe nas traseiras tem fissuras muito graves e não pode ser usada.”

As fundações da escola na freguesia de Campo de Ourique, a EB Vale de Alcântara, estão a inclinar-se aos poucos

Os problemas, explica a fonte camarária, foram detetados após um levantamento técnico das condições dos equipamentos escolares sob responsabilidade da autarquia, ou seja, jardins de infância e escolas básicas de 1.º ciclo. No entanto, será necessário uma vistoria aprofundada para perceber a real dimensão do problema.

Neste momento, não sabemos ainda o que será necessário fazer: podem ser obras estruturais, pode ser demolição e reconstrução. Poderá mesmo ser necessário edificar a escola noutro local se, por exemplo, no caso da Vale de Alcântara, se vier a perceber que o terreno foi mal escolhido. Neste momento, sem a vistoria feita, isto são apenas palpites.”

Para além dos problemas nesta duas escolas, o inventário pedido ao LNEC — Laboratório Nacional de Engenharia Civil só revelou problemas pontuais nos outros estabelecimentos de ensino a cargo da autarquia, como caixas de eletricidade que não fecham, falta de telhas, ou janelas com problemas. “São situações que têm de ser resolvidas por que está em causa a segurança do alunos, mas que implicam pequenas obras que não obrigam a deslocalizar ninguém.”

Nas escolas de Campo de Ourique e Campolide, os trabalhos decorrerão depois do início do 3.º período, que arranca a 22 de abril, não havendo estimativa de quanto tempo poderão demorar. Não é sequer possível garantir se no próximo ano letivo terão luz verde para receber os estudantes: “Neste momento, seria especulação dizer se a obra vai estar pronta ou não.”

O que é certo é que “as escolas são necessárias e vão continuar a funcionar, mesmo que tenham de ser relocalizadas”, garante fonte do gabinete do vereador Manuel Grilo, do Bloco de Esquerda, que sucedeu Ricardo Robles no cargo.

Na EB São Sebastião da Pedreira, os alunos alunos serão transferidos para a escola-sede do agrupamento, a Marquesa de Alorna

Para já, aproveitando as férias da Páscoa (8 a 21 de abril), os 166 alunos das duas escolas vão ser transferidos. Os estudantes da Escola Básica 1 Vale de Alcântara passam a ter aulas na Manuel da Maia, escola também localizada na freguesia de Campo de Ourique.

Para garantir que há condições para receber os alunos, estão a ser feitas pequenas obras temporárias e há a hipótese de as aulas acontecerem em monoblocos ou pré-fabricados. Ainda esta sexta-feira, a equipa do vereador reúne-se com os encarregados de educação para discutir as várias soluções. O que está já garantido é que a autarquia disponibilizará um transporte diário para levar os alunos de Vale de Alcântara para a Manuel da Maia, separadas por menos de dois quilómetros.

No caso da São Sebastião da Pedreira os alunos são transferidos para a Escola Básica Marquesa da Alorna, já visitada pelos pais e que, segundo a autarquia, ficaram satisfeitos com as condições oferecidas. Ali, não serão necessárias obras e as aulas acontecerão dentro do edifício da escola. Em princípio, diz a mesma fonte, não será necessário recorrer ao transporte da câmara, já que se trata de uma distância mais fácil de percorrer.

Com o período de matrículas prestes a arrancar, a autarquia explica que os alunos deverão matricular-se como o fariam habitualmente se aquelas forem as escolas escolhidas pelos seus encarregados de educação. “Para todos os efeitos, elas existem e estão apenas deslocalizadas como acontece com outros estabelecimentos de ensino na cidade.”

É o caso, por exemplo, da Escola Básica Ducla Soares, encerrada desde 2016 para obras. Os seus 106 alunos estão atualmente divididos pelas instalações das escolas básicas Gaivotas e Maria Barroso.