A coligação do Governo timorense anunciou esta segunda-feira que propôs ao primeiro-ministro a não renovação do mandato de Mari Alkatiri como presidente da Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM) e da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

Essa posição foi aprovada, por unanimidade, na reunião de dois dias dos três partidos que integram a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), que decorreu no fim de semana, informou oficialmente a coligação.

“A AMP reitera a posição de cumprir o compromisso eleitoral de 2018, para não reconduzir o mandato do atual presidente da RAEOA. Apelamos ao senhor primeiro-ministro Taur Matan Ruak para informar da decisão ao Presidente da República”, refere uma das resoluções debatidas e aprovadas no encontro.

Xanana Gusmão, líder do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), o maior partido da AMP, esteve ausente do encontro onde estiveram membros do Governo, deputados e dirigentes do CNRT, do Partido Libertação Popular (PLP) e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).

“Ele [Xanana Gusmão] ficou contente com os resultados da reunião. Estive com ele ontem e hoje e falámos”, disse à Lusa o número dois do CNRT, o secretário-geral Francisco Kalbuadi Lay. “Eu estava lá a representá-lo”, acrescentou.

O primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, também porta-voz da AMP e líder do PLP, participou em partes dos trabalhos do primeiro dia. No domingo viajou para Singapura, onde vai ser submetido a tratamentos médicos.

O encontro foi convocado para fazer uma “avaliação profunda e consolidar o trabalho da AMP, do VIII Governo e do Parlamento Nacional” e ao mesmo tempo “promover a estabilidade e impulsionar o desenvolvimento nacional”.

Da reunião saíram várias resoluções, incluindo o reafirmar da confiança na liderança de Xanana Gusmão em Taur Matan Ruak no cargo de primeiro-ministro e no Conselho Diretivo da AMP, para “facilitar a comunicação entre o Parlamento Nacional e o Governo para trabalhar em prol do bem-estar” do povo timorense.

O encontro serviu igualmente para destacar o trabalho de Xanana Gusmão no processo de desenvolvimento do projeto de um gasoduto do Mar de Timor para Timor-Leste, para concretizar a “soberania total” e a “sustentabilidade económica” do país.