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União Europeia

UE: ministra da Defesa alemã é a nova favorita. Negociações prosseguem no Conselho Europeu

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia retomaram os trabalhos para definir as nomeações para os cargos de topo. Apoio à ministra da Defesa alemã está a crescer.

Resta pouco tempo aos líderes da UE para chegar a um entendimento que evite uma crise institucional na UE

Lennart Preiss/Getty Images

À medida que líderes dos 28 estados-membros da União Europeia retomam esta terça-feira as negociações das nomeações para os altos cargos europeus — depois de, na segunda-feira, o presidente do Conselho Europeu ter decidido suspender a cimeira extraordinária devido ao impasse nas negociações –, o apoio pela ministra da Defesa alemã começa a crescer, como possibilidade para suceder a Jean-Claude Juncker na presidência da Comissão Europeia.

[15 factos sobre Ursula von der Leyen num minuto e meio:]

O Politico escreve que o nome de Ursula von Leyen está a ganhar adesão entre os países da Europa central e oriental. Segundo uma fonte oficial consultada pela publicação, o Grupo de Visegrado, composto por Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia, deverá apoiar Ursula von Leyen enquanto parte de um acordo maior.

Quase 24 horas depois de Donald Tusk ter anunciado a interrupção do Conselho Europeu perante a impossibilidade de chegar a um compromisso, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) retomaram os trabalhos para definir as nomeações para os cargos de topo, pressionados pelo ‘timing’ da eleição do presidente do Parlamento Europeu, agendada para quarta-feira de manhã em Estrasburgo, França.

Os líderes dos 28 chegaram à cimeira europeia às 18h00 locais de domingo (menos uma hora de Lisboa) e estiveram reunidos, a 28 mas também em encontros bilaterais e várias rondas de consultas, durante 18 horas, antes que o político polaco reconhecesse o “fracasso” das negociações e agendasse o reinício da reunião extraordinária para as 11h00 desta terça-feira.

Depois de já ter falhado um acordo na cimeira de 20 de junho, o Conselho Europeu voltou a não se entender, em torno das soluções propostas, com vários líderes do Partido Popular Europeu (PPE) a oporem-se à solução negociada, em Osaka, entre a chanceler alemã Angela Merkel (PPE), o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez (Socialistas) e o Presidente francês, Emmanuel Macron (Liberais), que previa a designação do socialista holandês Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia.

“Acho que tudo correu mal e obviamente o resultado é muito frustrante”, assumiu o primeiro-ministro, António Costa, após a suspensão dos trabalhos, lamentando “a incapacidade do Conselho de tomar decisões e de construir soluções que tenham o apoio maioritário quer no Conselho, quer no Parlamento Europeu” e apontando o dedo ao ‘quarteto’ formado por Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia (o chamado Grupo de Visegrado), bem como ao ministro do Interior italiano e líder da Liga do Norte (extrema-direita), Matteo Salvini.

Segundo António Costa, “houve infelizmente algumas forças que se deixaram capturar por aqueles que querem dividir a Europa, a partir do grupo de Visegrado ou de posições como a do senhor Salvini, e que, limitados por essas pressões, acabaram por ser incapazes de sustentar os acordos que foram sucessivamente sendo estabelecidos”.

Grupo de Visegrado mantém ‘veto’ a Timmermans como presidente da Comissão

O grupo de Visegrado continua a rejeitar que o socialista holandês Frans Timmermans seja nomeado presidente da Comissão Europeia, confirmou esta terça-feira o primeiro-ministro checo à chegada à cimeira extraordinária em Bruxelas.

“Timmermans não é a escolha certa. O nosso problema é só um nome, algo que os nossos parceiros europeus, durante 21 horas, não entenderam e era muito fácil”, defendeu Andrej Babis, referindo-se ao fracasso das negociações iniciadas no domingo, que levou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a suspender os trabalhos da cimeira extraordinária na manhã de segunda-feira até esta terça-feira.

O primeiro-ministro checo acrescentou que o grupo de Visegrado – Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia — quer como presidente do executivo comunitário alguém que “não tenha uma visão negativa” sobre aquela região, sublinhando que esse é o motivo do ‘veto’ daqueles países ao nome do holandês.

Para os líderes daquele grupo é “inaceitável” que o atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, e o principal ‘rosto’ de Bruxelas nos ‘braços de ferro’ com Polónia e Hungria devido às alegadas violações ao Estado de direito naqueles países, lidere a Comissão.

Emmanuel Macron critica “fracasso” negocial

Fontes europeias indicaram que as últimas propostas sobre a mesa na segunda-feira, que não reuniram apoios suficientes, previam invariavelmente Timmermans como presidente do executivo comunitário, e incluíam os nomes da búlgara Kristalina Georgieva, do Partido Popular Europeu (PPE), para a presidência do Conselho Europeu, do alemão Manfred Weber (PPE) para a presidência do Parlamento Europeu, e do belga Charles Michel (Liberal) para Alto Representante da UE para a Política Externa.

“Ninguém pode estar satisfeito com o que se passou durante tantas horas. Penso que este desfecho levanta problemas extremamente profundos”, advertiu o Presidente francês, estimando que a credibilidade do Conselho e da própria UE foi “profundamente abalada” por uma reunião “demasiado longa, que não conduziu a lado nenhum”.

Emmanuel Macron não poupou críticas ao Conselho Europeu, considerando que “o fracasso” negocial, motivado pelas divisões políticas no seio do PPE e pelas divisões geográficas Este-Oeste, deu “uma imagem da Europa que não é séria”.

Apesar de o grupo de Visegrado não ter um candidato concreto para a presidência do executivo comunitário, o liberal Babis reconheceu que a atual comissária da Concorrência e a candidata da sua família política a presidir à Comissão, Margrethe Vestager, seria uma “excelente líder” da instituição, embora tenha concedido que há Estados-membros “contra” a nomeação da dinamarquesa.

O primeiro-ministro checo disse ainda não entender o porquê de o Partido Popular Europeu, o mais votado nas eleições europeias de maio, ter ponderado abdicar da presidência da Comissão, o cargo mais ‘cobiçado’ do ‘pacote’ que está a ser negociado.

Os líderes do grupo de Visegrado estiveram já reunidos esta manhã de terça-feira na sede do Conselho Europeu em Bruxelas, com o seu encontro a ser um dos que atrasou o reinício dos trabalhos da cimeira europeia extraordinária destinada a desbloquear o impasse nas negociações para as nomeações dos lugares institucionais de topo europeus, agora marcado para as 13h00 locais (menos uma em Lisboa).

O retomar dos trabalhos do Conselho acontece assim em cima do prazo limite para tentar encontrar um compromisso, uma vez que também esta terça-feira tem início, em Estrasburgo, a sessão inaugural da nova legislatura do Parlamento Europeu, na qual será eleito o presidente da assembleia, um dos lugares de topo negociados ‘em pacote’, de modo a serem respeitados os necessários equilíbrios (partidários, geográficos, demográficos e de género) na distribuição dos postos.

Com o aproximar da sessão constitutiva do PE resta pouco tempo aos líderes da UE para chegar a um entendimento que evite uma crise institucional na UE, e que, em último caso, forçaria a atual ‘Comissão Juncker’ a estender o seu mandato, que termina em 31 de outubro próximo.

O Parlamento Europeu já tinha decidido adiar a eleição do seu novo presidente, que estava agendada para esta terça-feira, para quarta-feira, esperando que até lá o Conselho chegue a um compromisso.

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