O primeiro-ministro defendeu nesta terça-feira que há “todas as condições” para fechar o acordo sobre as nomeações dos cargos de topo europeus, considerando importante que a negociação fique encerrada antes da eleição do presidente do Parlamento Europeu.

Em declarações aos jornalistas, à chegada para o terceiro dia da cimeira extraordinária em Bruxelas, António Costa revelou que o plano para esta terça-feira é “estar com os ouvidos atentos e mente aberta” para encontrar “boas soluções” que permitam desbloquear o impasse nas negociações para as nomeações dos cargos de topo da União Europeia (UE), que levou o presidente do Conselho Europeu a suspender o trabalho na manhã de segunda-feira, depois de 18 horas de discussões.

“Espero que se todos, com espírito aberto, se sentarem à mesa, de uma forma construtiva, temos todas as condições para isso. Ontem estivemos a uma distância muito pequena de haver acordo. Provavelmente com menos cansaço, o acordo teria sido fechado”, admitiu, ao ser questionado sobre se acredita que os líderes dos 28 podem alcançar um compromisso esta terça-feira.

O primeiro-ministro português ressalvou ainda que seria importante que a negociação do ‘pacote’ dos cargos de topo europeus ficasse encerrada antes da eleição do presidente do Parlamento Europeu (PE), agendada para quarta-feira manhã em Estrasburgo, França.

“Será sempre o PE a escolher o seu presidente, mas é importante para que possamos ter uma solução global e o Conselho não seja previamente condicionado pelas decisões das outras instituições e para que possamos nós fazer as escolhas que nos competem fazer atempadamente”, sustentou.

A presidência da assembleia europeia é, juntamente com as presidências da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Banco Central Europeu e o cargo de Alto Representante para a Política Externa, um dos lugares de topo negociados ‘em pacote’, de modo a serem respeitados os necessários equilíbrios (partidários, geográficos, demográficos e de género) na distribuição dos postos.

António Costa disse ainda esperar ficar menos horas no edifício do Conselho, onde passou quase 18 horas em reuniões, desde as 18h00 de domingo (menos uma hora em Lisboa) até o início da tarde de segunda-feira.

Quase 24 horas depois de Donald Tusk ter anunciado a interrupção do Conselho Europeu perante a impossibilidade de chegar a um compromisso, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) retomam os trabalhos para definir as nomeações para os cargos de topo, pressionados pelo ‘timing’ da eleição do presidente do Parlamento Europeu.

Os líderes dos 28 chegaram à cimeira europeia às 18h00 locais de domingo (menos uma hora de Lisboa) e estiveram reunidos, a 28 mas também em encontros bilaterais e várias rondas de consultas, durante 18 horas, antes que o político polaco reconhecesse o “fracasso” das negociações e agendasse o reinício da reunião extraordinária para as 11h00 desta terça-feira.

Depois de já ter falhado um acordo na cimeira de 20 de junho, o Conselho Europeu voltou a não entender-se, em torno das soluções propostas, com vários líderes do Partido Popular Europeu (PPE) a oporem-se à solução negociada, em Osaka, entre a chanceler alemã Angela Merkel (PPE), o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez (Socialistas) e o Presidente francês, Emmanuel Macron (Liberais), que previa a designação do socialista holandês Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia.

Com o aproximar da sessão constitutiva do PE resta pouco tempo aos líderes da UE para chegar a um entendimento que evite uma crise institucional na UE, e que, em último caso, forçaria a atual ‘Comissão Juncker’ a estender o seu mandato, que termina em 31 de outubro próximo.

O Parlamento Europeu já tinha decidido adiar a eleição do seu novo presidente, que estava agendada para esta terça, para quarta-feira, esperando que até lá o Conselho chegue a um compromisso.