O objetivo era a formação de um governo, mas as negociações entre PSOE e Unidas Podemos atingiram um novo impasse, com o governo espanhol a falar em rompimento. De acordo com fontes do executivo de Sánchez, citadas pelo El País, o PSOE considera inconcebíveis os pedidos do partido de Iglesias. Os socialistas defendem que atender aos pedidos do Podemos é criar dois governos dentro de um só. Por outro lado, Pablo Iglesias diz que continua a apostar num governo de coligação, sem abdicar das suas exigências: o controlo de cinco ministérios.

O PSOE ofereceu — entretanto e como oferta final — a vice-presidência social e os ministérios da Habitação e Economia Social, o ministério da Higiene, Assuntos Sociais e Consumo e ainda o ministério da Igualdade (que tinha afirmado antes não oferecer), mas não foi suficiente. Iglesias recusou a proposta, pelo que Sánchez deu as negociações por terminadas.

Durante a tarde de quarta-feira, o primeiro-ministro espanhol tinha ligado a Pablo Iglesias com um ultimato, onde afirmava não estar disposto a “oferecer o ministério do Trabalho, nem o das Finanças, nem o do Ambiente, nem o da Igualdade”. O primeiro-ministro espanhol afirmou que esta seria a sua última proposta para o partido liderado por Iglesias. 

O Podemos tinha já afirmado que, sem estes ministérios, não quer fazer parte do governo, pois considera que seria apenas um “elemento decorativo”.

As negociações entre a vice-presidente do governo, Carmen Calvo, e Pablo Echenique, do Podemos, estiveram paradas durante grande parte do dia desta quarta-feira. O Podemos tinha dito que foi pedida uma “pausa para almoço”, garantindo que iam voltar a reunir “durante a tarde”, mas os socialistas dizem que “não há mais” enquanto o partido liderado por Pablo Iglesias não responder à última proposta feita pelo PSOE.

Fonte do Unidas Podemos já tinha garantido, no decorrer das negociações de quarta-feira, que não havia “progressos nas propostas feitas pelo PSOE”, citada pelo jornal El Mundo.

As negociações de quarta-feira foram retomadas para tentarem alcançar um acordo para formar governo. As forças políticas estão a trabalhar contra o relógio, já que está agendado para esta quinta-feira às 12h30, hora local, o segundo debate da investidura de Pedro Sánchez. Para que as eleições não se repitam, os partidos têm de chegar a um entendimento. Ao contrário daquilo que aconteceu na terça-feira, quando Sánchez precisava de conquistar o voto de 176 dos 350 deputados, na votação desta quinta-feira uma maioria simples é suficiente.